quarta-feira, 25 de julho de 2012

Código Florestal Brasileiro



Em agosto, um novo round

A Rio+(ou -)20 passou e a aprovação do novo Código Florestal Brasileiro continua a sua tramitação na Câmara dos Deputados. No último dia 12 de julho, a comissão mista responsável pela análise prévia da medida provisória (MP) que preenche lacunas no Código Florestal aprovou o parecer da MP. Essa medida, no entanto, só poderá ser encaminhada ao plenário da Câmara após a análise de 343 emendas propostas ao relatório (destacadas das 696 anteriormente apresentadas) pela comissão mista, o que deve acontecer somente em agosto. E mais: depois de ser submetida ao voto no plenário da Câmara, ainda terá de receber o aval do Senado para, então, ser encaminhada à sanção presidencial.

Certamente haverá muita gente insatisfeita – e indignada - com os resultados que comporão a versão final desse novo código. A MP deverá passar pelas duas casas – Câmara e Senado - até 8 de outubro ou perderá a eficácia. E é aí que mora o perigo... Seria, de fato, uma irresponsabilidade e uma derrota coletiva, depois de tantos debates e embates, deixar vencer o prazo. Da forma como foi apresentado, o Código não pode ser aprovado.

Redigida pelo senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC), a última versão apresentada para votação recebeu críticas e obstruções tanto da parte de ruralistas quanto de ambientalistas. O que está em jogo não é apenas uma disputa entre dois lados opostos – ambientalistas x ruralistas – mas, sim, uma redefinição de condutas em relação ao meio ambiente brasileiro – em especial à proteção e preservação de nossas florestas – e ao que queremos ver prevalecer no verdadeiro sentido de equilíbrio natural e de sustentabilidade. O que está em jogo é o futuro próximo, considerando que o presente é ainda marcado pela imposição da exploração predatória e irresponsável e pela ganância do lucro imediato.


Quais são os pontos principais de disputa e quais são os furos desse novo Código?
Os pontos principais em debate, que ficaram para a reunião de agosto, são: 

Áreas de Preservação Permanente (APPs)
No relatório, Luiz Henrique não contempla o pedido dos ruralistas, mas inclui um dispositivo que limita o tamanho das APPs nessas propriedades, com exceção das propriedades localizadas na Amazônia Legal. A soma de todas as APPs, e não apenas as localizadas nas margens dos rios, não pode ultrapassar os 25% do tamanho do terreno. 

Reserva Legal (RL) 
"A área de reserva legal também constitui espécie do gênero espaço territorial especialmente protegido e se refere a um percentual da propriedade rural, pública ou privada, que não pode sofrer corte raso, cuja finalidade precípua é a manutenção de parte representativa de todos os ecossistemas existentes no país”.
(Definição de LEUZINGER e CUREAU) 

O texto recebido pelo Senado prevê isenção da obrigação de recomposição de áreas desmatadas para os "pequenos produtores", definidos como aqueles que possuem propriedade de até 04 (quatro) módulos fiscais – o módulo fiscal varia de 5 (cinco) a 100 (cem) hectares, a depender da região. Por motivos diversos, ambientalistas e ruralista discordam sobre esse ponto. 

Anistia aos que realizaram desmatamentos 
O texto aprovado na Câmara também prevê uma Anistia geral para os responsáveis por desmatamentos ilegais realizados até 22 de julho de 2008, desde que o até então infrator adira ao Programa de Regularização Ambiental (PRA). Se forem cumpridos os termos do PRA, opera-se a anistia; caso contrário, subsistem as infrações e as punições aos desmatadores. 


Para saber mais sobre esses pontos de discórdia e outras questões debatidas na última reunião da Câmara, leia a reportagem.  



O objetivo deste blog é colaborar na divulgação do processo de definição do novo Código Florestal Brasileiro e participar da discussão, abrindo espaço para opiniões, mobilizações e movimentos que, como nós, estejam interessados na garantia dos direitos legais de preservação de nossas florestas (e de todo o seu ecossistema) e na construção de uma co-responsabilidade pública e coletiva em relação ao futuro ambiental do Brasil e do planeta.


Sendo assim, pedimos a colaboração do biólogo Marcell Pinheiro  para dar uma opinião sobre como o novo Código Florestal Brasileiro poderia interferir no seu trabalho. Vejam a sua resposta:

"Penso que o respeito e aplicação ampla e irrestrita de algum código florestal no país poderia favorecer a manutenção e a recuperação de florestas em consonância com o dito desenvolvimento sustentável, mesmo no Código vigente. Isso garantiria ao tema ‘meio ambiente’ a devida importância no momento de tomada de decisões, favorecendo a atuação de biólogos e demais profissionais relacionados à área ambiental.
Sou contra o novo Código Florestal da forma como foi proposto. Mas, considero a polêmica, com toda a exposição da mídia, debates acadêmicos, manifestações, votações, etc., muito interessante e saudável ao promover maior destaque sobre a temática ambiental. Pois, consequentemente, promove a difusão de informações e a discussão - garantindo maior acesso pela população, que geralmente ainda se encontra "anestesiada" em relação a esse tema, o qual afeta a saúde e bem estar de todos. Isso, a meu ver, é o maior benefício dessa polêmica.
Entretanto, como biólogo conservacionista, infelizmente sigo cético em relação à aplicação das novas regras - quando aprovadas... Enquanto as leis são criadas para existirem apenas no papel, o interesse dos ricos/poderosos/desmatadores deve continuar prevalecendo em detrimento do ambiental e social. Nada vai mudar se as pessoas não despertarem para o seu papel de principais mantenedores e cuidadores da lei, não delegando essas funções somente ao Estado."

Marcell S. Pinheiro - Biólogo e produtor de mudas de plantas nativas



Em uma nova postagem, já que a aprovação (e a briga!) ainda está em curso, falaremos dos “furos” existentes no texto do novo Código Florestal.



segunda-feira, 16 de julho de 2012

Rio+20: Reflexões...



A questão ambiental é uma preocupação e uma responsabilidade mundial. Ao se reunirem, 20 anos depois da Conferência Rio 92, dirigentes, ativistas e representantes das mais variadas instituições colocaram na pauta do mundo as questões, os problemas, os retrocessos e os avanços que configuram hoje a realidade ambiental do planeta Terra. Os eventos paralelos foram fundamentais para comprovar que existem movimentos e um grande número de pessoas interessadas, envolvidas e dispostas a mostrar que, para além da lógica econômica que se impõe ao mundo atual, existem outros e melhores caminhos a serem traçados para a preservação da natureza e o equilíbrio ambiental e social do nosso planeta. 

O grande encontro vivenciado e testemunhado por tantos durante a realização da Rio+20, na cidade do Rio de Janeiro, neste junho de 2012, deixa marcas profundas em todos que dele participaram. Frustrações, avanços e reflexões são, agora, os resultados que devem nortear a condução das questões ambientais mundiais pendentes e, para o bem de todos, deverão ser tomadas como pontos de partida para que, de diversas maneiras, exista um saldo positivo na construção de uma nova atitude em relação ao modo como vamos tratar as questões ambientais daqui para frente. 

O nosso blog quer fazer parte dessa reflexão, que deve ser permanente, contribuindo com informações por meios de matérias e opiniões expressas na mídia durante e depois da realização da Rio + 20. 

Leia, reflita e troque idéias com a gente.



Rio +20: A Conferência que não aconteceu...
A Conferência Rio+20, no que se refere às decisões a serem tomadas no Pavilhão do Riocentro, na verdade, não aconteceu. Os povos do mundo reunidos rebelaram-se contra os diplomatas e assessores insensíveis. O tic-tac do tempo irreversível foi anunciado no Riocentro ante uma plateia insensível.
O artigo é de Francisco Carlos Teixeira. >> Leia aqui.

Rio+20 termina com longa lista de promessas
Apesar de elogios da ONU, sociedade civil critica documento final da cúpula. >> Leia aqui.

Rio+20 acaba com balanço polêmico para movimentos sociais 
Autoridades brasileiras, porém, consideram a conferência como um avanço. >> Leia aqui.

Rio+20 - Protesto Marcha dos Povos

 Alguns compromissos assumidos durante a Rio+20 
Cidades se comprometem a reduzir emissões e fundos disponibilizam recursos para investimentos verdes. >> Leia aqui. 

Vídeo: Os ganhos intangíveis da Rio+20
Por Míriam Leitão >> Assista aqui.

Carta final da Cúpula dos Povos 
O documento final da Cúpula dos povos sintetiza os principais eixos discutidos durante as plenárias e assembleias, assim como expressam as intensas mobilizações ocorridas durante no período da Rio+20 – de 15 a 22 de junho – que apontam as convergências em torno das causas estruturais e das falsas soluções, das soluções dos povos frente às crises, assim como os principais eixos de luta para o próximo período. >> Leia aqui.




"A tematização da catação de recicláveis enquanto questão socioambiental emergiu no contexto em que a questão da sustentabilidade e do desenvolvimento humano ganharam visibilidade no período que sucedeu a realização da Rio 92. Naquela época, os catadores eram um grupo invisível socialmente e pouco se falava deles a não ser como caso de polícia, já que seu papel de agente ambiental não era reconhecido. Vinte anos mais tarde, na Rio +20, a Cúpula dos Povos contou com maciça representação do Movimento Nacional de Catadores de Recicláveis - MNCR. Embora o evento oficial tenha frustrado a muitos pela natureza pouco arrojada dos compromissos assumidos pelos governos representados na Rio +20 é inegável que os movimentos sociais, e entre eles o dos catadores, fizeram valer sua voz e ocuparam os espaços públicos do Rio. Parabéns aos movimentos sociais do Brasil e do mundo que participaram ativamente desta Conferência."

Sonia Maria Dias
(que participou ativamente da Conferência)



"Trate bem a Terra. 
Ela não foi doada a você por seus pais. 
Ela foi emprestada a você por seus filhos." 
(Provérbio Africano)


quarta-feira, 11 de julho de 2012

Código Florestal - Vou apitar!

Estamos em um momento decisivo. Depois que o projeto que desfigurava o Código Florestal foi aprovado pela Câmara dos Deputados, no dia 25 de abril, a campanha Floresta Faz a Diferença também pediu o veto total (#vetatudodilma) do texto. A Presidente Dilma, porém, fez um veto pífio e, em seguida, encaminhou a Medida Provisória 571/12 ao Congresso. 

Essa MP que tramita no Congresso já recebeu 696 emendas de nossos parlamentares e será votada por uma Comissão Especial Mista composta por senadores e deputados, no próximo dia 10 de julho. O texto da MP, que já é ruim, pode piorar, e muito.



Prevista para ontem, 10 de julho, a leitura do novo Código Florestal brasileiro – com todas as emendas já apresentadas – foi novamente adiada para amanhã, dia 12, quinta- feira. 



Clique no link abaixo e conheça quem são os 29 deputados federais que mais votaram contra o meio ambiente e veja o que você pode fazer para participar do movimento nacional (formado por várias entidades e organizações) que não desistiu de proteger as nossas florestas e de lutar pela preservação de todo o meio ambiente brasileiro.

Como participar: