quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Na Lata

O Na Lata publica, mensalmente, neste blog, uma entrevista ou um texto interessante - sempre inéditos - que aborda o universo das boas ideias, das melhores práticas e das pequenas e grandes soluções para as questões atuais que envolvem a relação da sociedade com o meio ambiente. Repensar e reinventar, junto com vocês, será sempre a nossa proposta. 


Toda criança tem o poder para reinaugurar e transformar o mundo 

Toda criança é uma esperança de renovação do futuro. Pensamos em nossos filhos e, diante da forma como estamos tratando o planeta hoje, é inevitável que pensemos em como será o futuro que eles terão para, já adultos, oferecerem também aos seus filhos. 

A degradação do planeta, visível e já sentida nas alterações climáticas e nos desastres naturais que estamos vivenciando, é conseqüência da ação destruidora do homem. Nossos avanços tecnológicos precisam, mais do que nunca, considerar as necessidades do equilíbrio ambiental e colaborar para encontrar soluções urgentes que promovam e garantam, daqui pra frente, a sustentabilidade do planeta e o bem estar geral. 

Para Adelsin – educador, aprendiz de crianças, brincante, reciclador de brinquedos e de idéias em favor da criança e da natureza – “Esse quadro reflete a ruptura do ser humano com os movimentos da natureza. A consequência dessa atitude é o quadro preocupante da saúde planetária. O aquecimento global é o indicador mais claro e triste do “esfriamento humano”. Mas, para a nossa sorte, as crianças e algumas pessoas espalhadas pelos “grandes sertões” não perderam o seu movimento natural e nem a sua força criadora”. 

Observador permanente, Adelsin tem no universo das crianças o seu foco principal de pesquisa e de atuação. Autor de várias publicações voltadas para o educador e o aluno – como a série “Cuidar bem”, desenvolvida para a Fundação Nestlé e posteriormente publicada pela Editora Peirópolis – ele se dedica, atualmente, a um projeto de educação ambiental voltado para as populações ribeirinhas de quatro localidades, situadas na região do Baixo Tocantins e na Ilha de Marajó, no estado do Pará. 

Para encerrar o mês de outubro, em que este blog procurou homenagear as crianças e os professores, vamos conversar com o Adelsin e saber o que ele pensa, a partir da própria experiência, sobre a importante relação entre criança, meio ambiente e a nossa esperança por um futuro sempre melhor.

Adelsin


As crianças são o nosso futuro e a nossa esperança. Quais são, pra você, as possibilidades de mudança no mundo atual?
Adelsin:  Vivemos um momento delicado na história da humanidade. Hoje sabemos que se não forem revistas algumas práticas a nossa continuidade no planeta estará seriamente ameaçada. Por isso, nos mais diferentes lugares da terra, pessoas sensíveis à necessidade de buscar formas de uma convivência harmoniosa com a natureza têm inaugurado novas possibilidades que poderão nos ajudar a seguir adiante. Essas novas possibilidades apontam para práticas sustentáveis em áreas distintas como agricultura, arquitetura, saúde, energia e educação. Essas mudanças de atitude buscam um retorno a uma consciência de unidade planetária. Elas se inspiram em experiências ancestrais desenvolvidas durante milhares de anos de interação natural com o ambiente. Eu acredito que ainda está em tempo de construirmos uma sociedade sustentável, mas ela só acontecerá quando formos capazes de, ao mesmo tempo, respeitar os saberes positivos do passado e decifrar as mensagens do mundo novo reveladas pelas crianças.


Mas o desenvolvimento tecnológico não poderia também contribuir para criar novos comportamentos em favor do nosso meio ambiente?
Adelsin: Como parte do movimento universal, cada ser vivo tem uma natureza de movimentos que precisa ser cumprida para que o seu processo evolutivo tenha continuidade. O ser humano, ao contrário de outras espécies, desenvolveu mecanismos de sobrevivência e de progresso tecnológico tão surpreendentes que criou uma ilusão coletiva de evolução acelerada. Mas, no entanto, o avanço tecnológico não foi desenvolvido em sintonia com os movimentos naturais planetários e, tão pouco, com o devido respeito à mãe Terra. As consequências do desrespeito ao meio ambiente já começam a ser sentidas em todos os continentes através de alterações climáticas, contaminação do solo e das águas e, principalmente, pela desarmonia entre os seres humanos.
A nossa esperança é que a capacidade criadora do ser humano é surpreendente. Quando a ciência estiver realmente a serviço da vida certamente teremos a tecnologia adequada à evolução harmoniosa da humanidade.


Como você vê a infância no contexto atual das grandes cidades?
Adelsin: Eu fico muito preocupado com a imobilidade da infância urbana e os prejuízos que uma vida sem movimento e sem contato com a natureza pode trazer para o ser humano em crescimento. É muito difícil para uma criança desenvolver um sentimento de amor pelo meio ambiente quando o ambiente em que ele vive é árido e contido. É muito difícil vislumbrar um desenvolvimento saudável de relações sociais construídas somente em redes virtuais. É preocupante, também, a construção dos conceitos de respeito e de liberdade numa sociedade de consumo exacerbado, de desigualdades sociais, com grades, cercas elétricas, condomínios fechados e medo. A minha esperança está justamente no fato de que as crianças são surpreendentes e ainda florescem apesar das adversidades. As crianças urbanas brincam nas brechinhas que encontram nas escadas dos prédios, na saída das escolas, embaixo das mesas, nos parques e em alguns projetos socioambientais que se tornaram os novos quintais urbanos.

Qual a relação entre a infância e a formação de uma consciência de preservação ambiental?
Adelsin: Acredito que cada criança que nasce é um passo adiante na evolução da espécie humana. O ser humano criança traz em sua herança genética não somente as características físicas de seus ancestrais, mas toda a experiência acumulada em milhares de anos de convivência com a natureza. Essa experiência evolutiva é manifestada naturalmente nos movimentos da infância, nos brinquedos e brincadeiras que as crianças querem e precisam brincar. Por esse motivo, existe uma cultura universal das crianças com gestos que se repetem, desde o começo dos tempos, em qualquer local do planeta. Quando existe tempo, liberdade e ambiente propício, a cultura das crianças se enriquece e aponta para o futuro. A convivência com os ambientes naturais na infância será de grande importância para o reconhecimento e o desenvolvimento de uma relação íntima com a natureza. Na infância, a criança ainda não tem muito clara a dimensão do futuro, mas a convivência com a natureza irá favorecer o desenvolvimento de uma consciência natural de cuidado com o meio ambiente que a acompanhará nas etapas posteriores da vida. Cabe a nós, adultos, ajudá-las a desenvolver um sentimento de carinho com o ambiente e reaprender, com elas, o caminho da evolução.


Quais seriam as transformações necessárias para que as crianças pudessem ter respeitado o seu direito à infância na sociedade contemporânea?
Adelsin: É preciso primeiro que haja um reconhecimento amplo das necessidades da infância que vão muito além das já previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente. Para que essas mudanças acontecessem de fato seria preciso que houvesse transformações sensíveis na realidade social, política e cultural do País. Seria necessário um novo olhar para a arquitetura das escolas e das moradias. Não deveria ser mais aceitável imaginar casas sem quintal, escolas sem áreas verdes e espaço/tempo para a livre convivência das crianças e dos jovens. Seria necessária também uma atenção maior para com a programação das TVs e com a publicidade voltada para as crianças.
Enquanto isso não é realidade, cada pai ou mãe, ou tio ou avó, pode dar um presente inesquecível para as crianças de sua família. Um passeio no parque, na praça ou na roça; uma história fantástica, acontecida ou inventada; um brinquedo construído como no seu tempo de criança. Esse encontro entre gerações diferentes de meninos e meninas pode ser o início de uma grande transformação, que poderá curar o planeta e salvar a humanidade da extinção.

De onde vem a sua crença de que essa transformação é possível?
Adelsin: De anos de convivência com as crianças do Brasil e da observação das dimensões maiores dos movimentos da sua cultura própria. Um olhar atento para o imenso repertório dos brinquedos universais das crianças com suas variantes regionais revela sinais essenciais do que há de mais elevado na experiência humana individual e coletiva. Já fomos todos sabedores desses segredos, mas a nossa (de)formação social, escolar e cultural, acontecida dentro de uma sociedade monetária e competitiva nos fez esquecer de como é bom viver sem pressa e sem “ego-objetivos”. A sorte é que, a cada dia, nasce uma criança nova em alguma família que é brindada com a chance de começar outra vez. Ninguém fica indiferente e nem mesmo convencional diante de uma criança recém nascida. A criança pequena tem o poder de reinaugurar o novo em cada um que se aproxima do berço. E como ela ainda não fala a nossa língua, cada um de nós procura falar a língua universal do ser humano ainda novo e é aí que o novo pode se restabelecer no velho ser. Como já disse, eu acredito que a criança é o último passo da evolução humana e é ela quem pode nos levar adiante.

Ravi e Adelsin
Como você tem desenvolvido o seu trabalho no sentido de contribuir para essa transformação?
Adelsin: Desde que conheci a pesquisadora e educadora Lydia Hortélio, nos anos 1980, me vi contagiado pela luta pelo direito das crianças à infância e à convivência com a natureza. Desde então, tenho aprendido e partilhado experiências vividas pelas crianças do Brasil em territórios de convivência em liberdade. Para difundir a imensa riqueza da cultura das crianças e desanuviar o olhar dos adultos, venho realizando encontros para brincar e conversar sobre a infância, nos mais diferentes lugares do País. Esses encontros têm formatos diferentes como: oficinas de brinquedos, cursos de “educação ambiental”, palestras, etc. Para realizar esses encontros, atuo como ‘agente infiltrado’ da infância dentro de ONGs, de secretarias do poder público e de institutos de empresas multinacionais. Tenho produzido, aos poucos, publicações com brinquedos do inesgotável repertório das crianças. Espero que, nos próximos anos, eu tenha mais tempo para me dedicar à produção de materiais que possam sensibilizar um número maior de pessoas e, assim, ajudar os meninos e as meninas do Brasil a viverem a sua infância como ela merece ser vivida. É a minha pequena contribuição para continuarmos no planeta.

Você poderia nos dar boas sugestões de livros, videos e sites sobre os temas da nossa entrevista?
Adelsin: O livro que conheço que trata da natureza do lugar e da natureza humana em integração e profundidade é o “Grande Sertão Veredas” de Guimarães Rosa. São necessárias algumas lidas para se enveredar naquele sertão.

Um vídeo que acho muito especial e que mostra a criança e a natureza de forma sensível é o Capitão Menino, de Renata Meirelles e David Reeks. (projetobira@hotmail.com).
Quanto aos sites, eu gosto de visitar os de tecnologia alternativa e de bioconstrução. Vale a pena conhecer os sítios dos Institutos de Permacultura e Ecovilas do Cerrado – IPEC e da Mata Atlântica - IPEMA
Mas bom mesmo é aproveitar que está chegando o tempo da jabuticaba e ir visitar o sítio do amigo, da tia ou do avô, junto com as crianças, no próximo final de semana.     



Adelsin (Adelson Fernandes Murta Filho) é formado em Artes Plásticas pela UFMG e desenvolve pesquisas e oficinas voltadas para o universo da criança desde 1988. Sócio da Nhambu Ação Cultural, é consultor sobre cultura infantil e educação ambiental, e tem desenvolvido e realizado projetos para ONGs, instituições públicas e privadas nessas áreas, em todo o Brasil. Já publicou os livros Barangandão Arco-íris - 36 brinquedos inventados por meninos (Editora Peirópolis) e os livros Guisadinho, Cuidar bem das Águas, Cuidar bem do Ambiente e Cuidar bem das Crianças, desenvolvidos para a Fundação Nestlé Brasil.




"Ainda está em tempo de construirmos uma sociedade sustentável, mas ela só acontecerá quando formos capazes de, ao mesmo tempo, respeitar os saberes positivos do passado e decifrar as mensagens do mundo novo reveladas pelas crianças."

(Adelsin)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Vamos brincar?

Brincando e jogando, a criança socializa e consegue expressar suas fantasias, seus desejos e suas experiências reais de um modo simbólico, em que a imaginação e a criatividade fluem de forma lúdica. 
Por isso, o vinavina preparou um post só com brincadeiras populares, que o mundo moderno vem esquecendo, e com outras dicas para a diversão da meninada! 



Jogo do Telefone sem Fio
Idade: a partir de 4 anos
Participantes: cinco ou mais 
Estimula: atenção; imaginação


Organize os jogadores sentados um ao lado do outro, em fila.
O primeiro jogador diz uma frase/mensagem no ouvido do colega seguinte. Cada participante, após receber a mensagem, fala o mais baixo possível no ouvido do colega seguinte até que o ultimo falará em voz alta o que recebeu. A mensagem muitas vezes chega completamente diferente!!

Jogo do Passa Anel
Idade: a partir de 3 anos
Participantes: três ou mais
Estimula: atenção; coordenação motora; imaginação 


Escolha quem vai ser o passador de anel. O passador põe o anel (ou outra coisa pequena) entre suas mãos, que estão encostadas uma na outra. Os outros jogadores ficam um ao lado do outro, com as palmas das mãos encostadas como as do passador de anel. O passador passa as suas mãos no meio das mãos de cada um dos jogadores, deixando cair o anel na mão de um deles sem que ninguém perceba. Quando tiver passado por todos os jogadores, o passador pergunta a um deles: "Quem ficou com a anel?".
Se acertar, é o novo passador. Se não, paga a prenda que os jogadores mandarem.
O passador repete a pergunta até alguém acertar. Quem acerta é o novo passador.


Batatinha frita um, dois, três!
Esta frase dará o tempo de todo mundo se mexer pra alcançar o paredão! 
Batatinha frita um, dois, três; é um jogo de agilidade e habilidade...


Uma criança fica de costas para um paredão e as outras crianças ficam na outra extremidade, enfileiradas. Melhor que seja uma distância considerável entre o paredão e as crianças, para que haja um grau de dificuldade maior na brincadeira. 

A criança que está no paredão, conta, de olhos fechados e virada para a parede: "Batatinha frita um, dois, três!"  Enquanto isso, as outras crianças enfileiradas vão caminhando conforme o ritmo ditado pela criança na parede (pode ser rápido, devagar, pausado...). A criança da parede, quando terminar a frase, deve virar para o grupo todo que vai imediatamente ficar paralisado feito estátua enquanto a criança observa se alguém irá se mexer. Quem se mexer, volta para o início e deve começar tudo de novo.


Rouba Bandeira
Jogadores: quatro ou mais (o número precisa ser par, para que a divisão dos times seja exata).
Material necessário: duas bandeiras (ou objetos que representem bandeiras) e um giz para marcar o chão, caso não seja uma quadra.


As crianças são divididas em dois times. Cada um fica com um lado da quadra. Na linha de fundo de cada espaço é fincada a bandeira do time. O objetivo é roubar a bandeira adversária e proteger a sua, atravessando o campo adversário correndo.
Quando um ou mais jogador tenta atravessar o campo inimigo, precisa cuidar para não ser pego por nenhum de seus adversários, senão fica “preso” no fundo do campo e não pode mais ajudar seu time. Os jogadores presos no campo adversário só podem ser libertados pelo toque de um de seus companheiros de time.
Enquanto parte do time se dedica à conquista da bandeira do outro, o resto fica incumbido de proteger a sua própria bandeira, evitando que os adversários cheguem até ela, e de vigiar os presos, para que seus colegas não os libertem.
O jogo acaba quando um dos times conseguir trazer para seu campo a bandeira do outro.

Bolinha de Gude
Existem várias maneiras de jogar. Pode ser com o objetivo de conquistar as bolas do adversário ou simplesmente testar a precisão dos movimentos. As jogadas podem ser de feitas de perto, de longe, de uma vez só ou aos “petelecos”. 


O chão de terra é o local ideal para jogar, já que algumas modalidades pedem pequenos buracos no caminho. Dá para jogar em terrenos asfaltados e pisos, marcando a arena com um giz, mas isso implica em fazer adaptações nas fases que envolvem buracos, como substituí-los por círculos.

Cada jogador traz de casa sua coleção de bolinhas, que pode crescer ou diminuir, dependendo de seu desempenho em jogo e das regras acordadas no início. Existem bolas de tamanhos e cores diferentes, algumas de uma cor só e outras com detalhes internos chamados de “olho de gato”. Todas elas servem para esse jogo.


Dicas de livros 


Ana Carolina Neves
Editora FTD
Imagine um submarino que flutua como uma água viva. É dentro dele que uma menina desvenda as maravilhas submersas nos rios e nas lagoas do Pantanal. 

Global Editora
Versos de Cora Coralina falam da lenda oriental da princesa Lui. 

Editora Moderna
Ana Maria Machado reconta essa história de emoção e aventura no mar. 

Cinema Infantil


Cinema em muitas línguas: Nono Festival Internacional de Cinema Infantil.
Irá acontecer em dez cidades do Brasil. 
Em Belo Horizonte, acontecerá na semana de 21 a 30 de outubro, no Pátio Savassi. 

Confira programação no site: www.fici.com.br




"Nós não paramos de brincar porque envelhecemos. Envelhecemos porque paramos de brincar."
(Oliver Holmes)


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Homenagem aos professores

Em homenagem ao Dia dos Professores, comemorado no dia 15 de outubro, o vinavina preparou um post com ideias e iniciativas de escolas e unidades de ensino, que possibilitam a participação conjunta da comunidade, dos pais e alunos no processo de aprendizagem. 


Projetos inovadores em educação

Projeto Radio História
Escola: Fundação Torino 
Local: Belo Horizonte/MG 


Os alunos das turmas do 8º ano do ensino fundamental se transformaram em locutores e repórteres de uma rádio virtual, onde narraram eventos da história do Brasil e do mundo como se fossem fatos contemporâneos. 
O conteúdo é publicado em um blog na internet e divulgado em redes sociais. O trabalho teve como objetivo tornar a história mais tangível e próxima a vida cotidiana dos estudantes. 

Para saber mais, clique aqui.


Projeto Cartografia dos Sentidos 
Escola: UFMG 
Local: Belo Horizonte/MG 

No caminho da sua casa para seu trabalho quais são os sons que fazem parte da paisagem? Já reparou nos casarões? E nos terrenos vazios? São muitos ou não se vê nenhum? Como montar um mapa fazendo uso dos seus cinco sentidos nesse trajeto? Que histórias você contaria? Qual a sua relação com esse espaço?

É esse caminho que o Cartografias dos sentidos refaz com os alunos que participam do projeto. Em 2007, um grupo de pesquisadores do Centro de Convergência de Novas Mídias (CCNM) da Universidade Federal de Minas Gerais, coordenado pela professora Regina Helena Alves, finalizava a pesquisa "Cartografias de Sentidos do Hipercentro de Belo Horizonte". 

Neste ano de 2011 são alguns alunos da licenciatura do curso de História da Universidade Federal de Minas Gerais que tocam o projeto, orientados por docentes, entre eles, a professora Lena Alves. 

Assista o vídeo:


Projeto Incluir 
Escola: Rede Estadual de Ensino Público de Minas Gerais 
Local: Minas Gerais 


O Projeto Incluir tem por finalidade organizar, no estado de Minas Gerais, em escolas públicas comuns, as condições para atenderem adequadamente os alunos com deficiências e com transtornos globais de desenvolvimento junto aos demais alunos.

Para saber mais, clique aqui. 


Projeto Construcoco – Edificando Idéias 
Escola: Escola Técnica Professor Agamenom Guimarães 
Local: Paulista (PE)

A proposta desse projeto é a elaboração de uma miniempresa de construção civil voltada para o desenvolvimento de materiais para edificações sustentáveis, que fossem provenientes das sobras de lixo de alguma matéria-prima barata, como o resíduo do coco, por exemplo. Os alunos planejaram toda a viabilidade da aplicação das ideias e aprenderam também a organizar o tempo e a gerenciar os recursos para atingir os resultados desejados.

Para saber mais, assista o vídeo:


O Projeto Construcoco, do educador Eraldo Martins Guerra Filho, ganhou o 1º lugar, da categoria "Escolas Técnicas", na 6ª edição do Prêmio Educadores Inovadores.




"O professor só pode ensinar quando está disposto a aprender."
(Janoí Mamedes)





A sessão INdica está temporariamente fora do ar devido a problemas técnicos. Estamos trabalhando para que, em breve, nossas dicas sejam novamente disponibilizadas. 
Desculpem a falha. 

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Vai, vai, vai começar a brincadeira...

Em homenagem ao Dia das Crianças, abriremos o mês de outubro com um post especial, que chega trazendo um texto de Adelsin, que, há vinte anos, vem observando atentamente os "movimentos naturais das crianças e da gente encantada do Brasil", levantando, assim, um repertório significativo de brinquedos, brincadeiras, cantigas e histórias próprias da cultura das crianças brasileiras.



Construindo brinquedos 
(Adelsin)

A capacidade de transformar os mais diversos materiais em ferramentas, instrumentos, objetos e brinquedos é uma das maiores qualidades manifestadas pelo ser humano desde o começo dos tempos. O convívio com a natureza fez com que o homem desenvolvesse a sua capacidade observadora e transformadora. As sementes caindo rodopiando das árvores levaram o ser humano menino a perceber a existência do eixo, da gravidade, da rotação e a inventar as hélices e os cataventos. As pedrinhas redondas viraram bolas. As combinações dos eixos com as bolas fizeram surgir, naturalmente, as rodas, as carroças, os carros e as máquinas. 

Cada descoberta dos homens-meninos foi sempre acompanhada por uma invenção. A alegria de descobrir era sempre coroada com a possibilidade da transformação. O uso prático e cotidiano das invenções foi apenas uma consequência de algo muito mais importante que é o cumprimento do movimento criador do ser humano natural em convivência com a natureza do seu lugar. 

Com a revolução industrial, o desenvolvimento tecnológico ganhou proporções inimagináveis para o homem dos séculos anteriores. Mas o que passou a mover as invenções não foi mais a natureza criadora, mas os interesses financeiros. Essa nova postura fez com que uma grande parte da humanidade tivesse acesso ao produto das novas invenções, mas sem participar do processo de sua criação. Aos poucos, as pessoas foram se distanciando da natureza e do seu movimento criador. Foram se esquecendo da sua capacidade de descobrir e inventar e passaram apenas a consumir ou a se especializar em uma pequena etapa do processo de produção. 

Chegamos ao terceiro milênio com o homem dependente das facilidades tecnológicas, sabendo utilizar maravilhas da mecânica e da eletrônica, mas desconhecendo a alma dessas invenções. As populações de consumidores, que sucederam às de criadores, estão cada vez mais hipnotizadas, solitárias e imóveis diante das maravilhas da tecnologia. Esse quadro reflete a ruptura do ser humano com os movimentos da natureza. A consequência dessa atitude é o quadro preocupante da saúde planetária. O aquecimento global é o indicador mais claro e triste do “esfriamento humano”. Mas, para a nossa sorte, as crianças e algumas pessoas espalhadas pelos “grandes sertões” não perderam o seu movimento natural e nem a sua força criadora. 

Na contramão dos sistemas de ensino que insistem em adequá-las à competitividade do mercado, as crianças resistem e buscam cumprir a sua natureza investigadora, inventiva e transformadora. Apesar de toda pressão imposta pelos meios de comunicação de massa, alguns indivíduos mantêm viva a ligação com a “mãe terra” herdada de seus antepassados. Por isso, cada gesto dessas pessoas e dessas crianças é carregado de sentido e de sabedoria. Assim sendo, as suas cantigas, histórias, comidas e brinquedos revelam o presente sagrado do passado e do futuro. Mas esses últimos representantes encantados da espécie humana só se mantiveram assim porque preservaram a própria natureza interna, tendo por referencial a natureza do seu lugar. E essa ralação foi estabelecida na infância. Por tudo isso, acredito que a humanidade só terá futuro se reconhecer a urgência da preservação dos territórios da infância, que começa em nosso quintal e abraça todo o planeta. 


Formado em Artes Plásticas pela UFMG, o belorizontino Adelson Murta, o Adelsin, desenvolve trabalhos de observação e valorização da cultura da criança. Entre 1986 e 2003, viajou pelo interior de Minas Gerais e da Bahia, pesquisando, ensinando e aprendendo brinquedos artesanais da tradição popular. Trabalhou com crianças em escolas formais, alternativas, rurais, especiais, e ainda com meninos de rua em Belo Horizonte e Salvador. É autor do livro “Barangandão Arco-Íris - 36 brinquedos inventados por meninos e meninas”.




“A infância é o tempo de maior criatividade na vida de um ser humano.”
(Jean Piaget)






Cinema em muitas línguas
O Nono Festival Internacional de Cinema Infantil irá acontecer em dez cidades do Brasil. Em Belo Horizonte (MG), será na semana de 21 a 30 de outubro, no Pátio Savassi.

Confira programação no site: www.fici.com.br