quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Da Invisibilidade à Cidadania


Jardim Gramacho (RJ). Foto: Marcos Prado

Por Sônia Dias

No livro As Cidades Invisíveis, o escritor italiano Ítalo Calvino brilhantemente nos descreve a cidade de Leônia, onde a opulência é medida pelas coisas “...que todos os dias são jogadas fora para dar lugar às novas”. Noutro registro no âmbito da arte, o filme Estamira nos apresenta esta catadora visionária, a Estamira, que de sua mirada do lixão de Gramacho também nos convoca a repensar nossos conceitos, estereótipos e práticas e nos incita a rever nossos paradigmas perdulários e de descaso com o homem e o meio ambiente. 

As indagações que os dois registros acima citados nos colocam são: quais são as possibilidades existentes de transformação do lixo? Quais as respostas que a cidade pode dar aos sonhos de conquista da cidadania plena daqueles que vivem dos resquícios, das sobras do nosso consumismo voraz? Essas são questões que nos últimos anos vêm ocupando o centro dos debates em torno do tema lixo e cidadania. 

É nesse contexto que o lixo vem sendo atualmente associado à cidadania, trazendo à cena pública o significado contemporâneo do conceito de reciclagem, enquanto mais do que uma ação transformadora de um objeto usado em algo novo mas, fundamentalmente, enquanto expressão da consciência socioambiental, que possibilita geração de trabalho e renda e o exercício da cidadania de setores em vulnerabilidade social, tais como os catadores de recicláveis e os carroceiros do entulho. 

Estimativas do Banco Mundial apontam que cerca de 2% da população das cidades da Ásia e da América Latina sobrevivem da catação. Trabalhando nas ruas coletando recicláveis ou em situações dramáticas de abandono como os lixões a céu aberto, submetidos a altos riscos e via de regra com rendimentos baixos, estes trabalhadores informais do lixo têm clamado por justiça social em várias partes do mundo. São Estamiras, Josés, Marias, Geraldas do Brasil afora que se juntam a tantos outros heróis de outros países na América Latina, Ásia e África. Personagens que experimentam a mais dura exclusão no seu cotidiano mas, que ao mesmo tempo, cada vez mais protagonizam histórias de resistência. 

O mesmo Ítalo Calvino nos dá pistas de utopias possíveis ao nos falar da cidade imaginária de Ândria, onde duas virtudes do caráter de seus habitantes merecem ser recordadas: “... a confiança em si mesmos e a prudência. Convictos de que cada inovação na cidade influi no desenho do céu, antes de qualquer decisão calculam os riscos e as vantagens para eles e para o resto da cidade e dos mundos”. 

Para que passemos da opulência de Leônia para a prudência ecológica de Ândria, precisamos incorporar os múltiplos olhares e as múltiplas falas dos atores da sociedade civil, do setor público e do setor privado num esforço conjugado de reflexão e ação para a concretização de novos mundos possíveis. Um mundo que torne visíveis outros tipos de cidades. Cidades, onde os princípios da solidariedade e da prudência socioambiental sejam o dínamo re-alimentador do movimento da vida. Um grupo de organizações de base e de ONGs e redes internacionais vem trabalhando num projeto global em torno do conceito de cidades inclusivas convocando a sociedade a trabalhar na concretização de um modo Leônia de viver as cidades. Projetos e ações globais do Projeto Cidades Inclusivas e histórias de resistência de cooperativas e sindicatos de catadores e catadoras no mundo, bem como de outros grupos informais podem ser encontradas no site Cidades Inclusivas.  

Faça sua parte revendo seus conceitos, repensando suas ações, contribuindo com a coleta seletiva solidária. A virada coletiva é feita da ação de cada um e de todo.
“O universo é o eco de nossas ações e nossos pensamentos” 
– Pense nisto, VIVA isto!


Estamira.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Na Lata


O Na Lata publica, mensalmente, neste blog, uma entrevista ou um texto interessante - sempre inéditos - que aborda o universo das boas ideias, das melhores práticas e das pequenas e grandes soluções para as questões atuais que envolvem a relação da sociedade com o meio ambiente. Repensar, junto com vocês, será sempre a nossa proposta.

Vamos colocar o livro no cotidiano das pessoas 

Bibliopote (Curitiba - PR)


Bibliopote é uma ideia, é uma proposta, é uma referência e é uma iniciativa democrática e positiva em favor do livro e da leitura. Instalada na Panificadora Pote de Mel, que fica no Centro de Curitiba (PR), a Bibliopote é uma iniciativa original do jornalista Alessandro Martins e do seu blog Livros e Afins.

Frequentador assíduo dessa padaria, Alessandro começou a levar seus livros para uma leitura que acompanhasse o seu café. Percebeu que a Pote de Mel recebia um público variado e flutuante e que, muitas vezes permanecia ali, como ele, por algum tempo. A vizinhança da padaria inclui o Hospital de Clínicas e a reitoria da Universidade Federal do Paraná e, também por isso, o público é bastante diversificado. Lembrou-se de uma experiência interessante e bem sucedida de uma biblioteca instalada em um açougue em Brasília (DF). Daí, ele pensou: por que não em uma padaria? Conversou com o dono da Pote de Mel, Carlos Lazzaris, que gostou da ideia e abriu espaço para a nova biblioteca. Desde 2008, a Bibliopote - Biblioteca Livre Pote de Mel já fez circular mais de 4.000 livros e possui um acervo atual – flutuante – entre 300 e 500 livros. São números significativos, não? Mas significativa mesmo é a proposta que deu certo e que envolve um número cada vez maior de adeptos e de admiradores, e que vem servindo de inspiração para a criação de novas bibliotecas livres pelo País. 

Vamos saber agora o que Alessandro Martins, protagonista dessa história boa, tem para nos contar sobre a Bibliopote.

Alessandro, via skype, na hora da entrevista.


Como funciona a Bibliopote?
Alessandro Martins: A Bibliopote funciona com regras muito claras e simples. Criamos uma política que conta com o compromisso ético das pessoas no exercício da liberdade que é oferecida de pegar um livro emprestado e devolvê-lo quando quiser. É claro que alguns livros não voltam, mas, depois que as pessoas entendem a proposta, elas tomam para si a responsabilidade com o livro e o processo funciona como deve ser.


Quais são essas regras?
Alessandro Martins: As regras – que estão no carimbo impresso em todos os livros do nosso acervo - são as seguintes: 
1. Leve este livro para onde quiser durante o tempo necessário;
2. Cuide dele. Depois de ler, devolva;
3. Este livro não deve pertencer a ninguém;
4. Se ele estiver em prateleira particular, leve-o, leia-o, passe-o adiante ou devolva à Biblioteca Pote de Mel;
5. Se quiser, doe um livro para a Biblioteca Pote de Mel.

Bibliopote - livros em detalhe


Vocês têm algum tipo de registro e controle dos livros da biblioteca?
Alessandro Martins: Não. O único controle efetivo que temos é o carimbo que vai no livro. O carimbo contém justamente as regras da Bibliopote. Assim podemos informar às pessoas sobre os princípios que regem a nossa biblioteca. Existe , também, um livro de registro para atender àqueles que ainda estranham a liberdade que a gente oferece. Mas como é opcional, ele se tornou mais um objeto de design do que uma forma de controle. Porque, na verdade, se o livro voltar, ótimo! Mas se não voltar, tudo bem também. O importante é colocar o livro no cotidiano das pessoas e promover a sua circulação.

Você acha que essa proposta funcionaria em qualquer lugar do Brasil?
Alessandro Martins: Acredito que sim. Mas tem que ser em um lugar com uma grande circulação de pessoas que sejam de diferentes tipos de classes sociais – como é uma padaria, por exemplo. Tem que permitir o acesso a todo tipo de pessoa.

Já existem, pelo Brasil, outras iniciativas também originais que pretendem estimular a leitura e fazer o livro circular, como é o caso da Bicicloteca e da Bibliotáxi. Você já teve notícia de iniciativas que se inspiraram na Bibliopote?
Alessandro Martins: Sim, sempre recebemos notícias de novas iniciativas e fazemos questão de divulgá-las no blog da Bibliopote e meu blog, Livros e Afins. Recentemente, em Indaiatuba(SP), foi inaugurado o projeto “Leitura na Padaria” que, segundo nos informaram, foi inspirada na nossa experiência. Isso é muito bom, pois um dos nossos desejos é que a Bibliopote seja mesmo uma inspiração para iniciativas semelhantes.

Bicicloteca no RJ.

O que você pensa quando ouve alguém repetir que “brasileiro lê pouco, que não gosta de ler”?
Alessandro Martins: Eu não concordo. O brasileiro gosta muito de ler. Veja a internet, por exemplo. Cada vez mais, as pessoas se comunicam por escrito, exercitam a escrita e a leitura. E o Brasil é um dos países que mais acessam a internet atualmente. Sou a favor de que o livro e a leitura estejam no cotidiano das pessoas por todos os meios possíveis. É um movimento cíclico: a leitura na internet estimula a busca pelo livro físico também. O kindle (um modelo de e-book) oferece uma leitura muito confortável também. O principal do livro é o seu conteúdo. O livro impresso é um dos veículos das ideias do autor.

O volume do atual acervo e pela referência de mais de 4.000 livros circulando, a partir da Bibliopote, significa que o volume de doações é grande. Como é que isso funciona?
Alessandro Martins: As pessoas gostam da idéia de participar. As doações nos chegam de todos os lados e por motivos variados, inclusive pelos Correios. No blog da Bibliopote deixamos claro que contamos com doações para manter a nossa biblioteca e sugerimos que se preocupem com a boa condição dos livros doados e sugerimos o que podem fazer com livros didáticos e de conteúdo técnico. Além das doações, as boas trocas também acontecem. 

O acervo inicial da Bibliopote foi feito com livros que eram seus e que, além da quantidade, são livros de ótima qualidade. Como foi, para você, fazer essa doação?
Alessandro Martins: Foi muito tranquilo. Aliás, eu fiz questão de doar bons livros e que estavam em ótimo estado de conservação com a clara intenção de dar o exemplo. Ao entregar os meus livros eu estava conferindo a eles um valor a mais: eles passaram a pertencer a todo mundo. Eu acho que quando alguém guarda o livro na própria estante está roubando a energia de um livro que deveria circular. Não entendo como uma pessoa pode gostar de um livro e, geralmente, não ser capaz de dar esse livro para que outra pessoa o aproveite. Eu criei uma “regra de ouro dos empréstimos”, que funciona pra livros, CD’s e até para dinheiro: “Você só deve emprestar aquilo que você puder dar”. Do contrário, vai ser muito difícil “cultivar amigos e influenciar pessoas...”

Parte do acervo da Bibliopote.


Qual tem sido o retorno que a Bibliopote tem dado para você e para a Panificadora Pote de Mel?
Alessandro Martins: A Bibliopote tem sido uma oportunidade de aprimoramento das relações entre as pessoas. O tratamento cordial que a equipe da Pote de Mel oferece a todos, além do espaço da biblioteca, é o que me faz sentir como um “bom freguês” e não como um “cliente”. Frequento a padaria diariamente e sempre sou bem recebido. Eles estão sempre preocupados em melhorar o ambiente e o relacionamento com os seus fregueses. De minha parte, a Blibliopote foi uma contrapartida física do trabalho que já realizo em meu blog Livros e Afins. O principal produto da relação estabelecida entre pela criação de uma biblioteca livre naquele espaço é justamente a oportunidade, para todos nós, do exercício da ação ética. Além do mais, já perdemos a conta de quantas entrevistas demos sobre a Bibliopote. É ótimo poder divulgar uma experiência que está dando certo.




Entrevista realizada (via skype) 
em 22.8.2011 por Élida Murta.



Links: 
Livros e Afins: Para saber mais sobre as idéias e o trabalho do Alessandro Martins.
Bibliopote: Visite o site da Bibliopote para mais informações sobre doações e visitas.
Panificadora Pote de Mel: Para saber mais sobre padaria, acesse o site.

Não deixe de conferir as boas dicas de Alessandro Martins na sessão INdica.





"Livros devem circular.
Um livro fechado está adormecido.
Se um livro acorda, uma pessoa acorda".
(Lema da Bibliopote)



segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Pessoas transformando cidades...

Depois de apresentar boas ideias e iniciativas vistas no TEDx Curitiba, o vinavina traz, nesta semana, alguns vídeos relacionados aos palestrantes do evento.


Hélio Leites


Cheio de sabedoria e histórias para contar, Hélio Leites é um artista que reinventa materiais e objetos descartados, fazendo da sua arte um verdadeiro teatro ambulante.

O que é tristeza para você?



Marcelo Rosenbaum


O trabalho desse designer tem como inspiração a popularização do design para o Brasil de todas as classes. O vídeo a seguir mostra a trajetória do Projeto "A gente transforma", que reformou o Parque Santo Antônio, na zona sul da cidade de São Paulo (SP). O projeto faz uso das cores para despertar a criatividade e realizar mudanças dentro de uma comunidade, elevando sua autoestima e colocando o poder de transformação nas mãos dos moradores.


A gente transforma - Vídeo Oficial


Para saber mais sobre a Casa do Zezinho, ONG que abriu as portas da comunidade para realização desse projeto, clique aqui. 



Inspira / Respira


O que você faria se, em meio à correria do dia-a-dia, fosse montado um balanço, no meio de uma praça, com o convite de pausar por alguns minutos os compromissos e simplesmente respirar? Essa é a proposta do vídeo, indicado por Alessandro Martins, um dos palestrantes no TEDx Curitiba.

Um balanço


Para saber mais sobre o Projeto Inspira / Respiraclique aqui.








"Uma caminhada de mil léguas começa sempre com o primeiro passo."

(Provérbio chinês)






Pessoal, continuamos com problemas técnicos na sessão INdica
Em breve, este problema será solucionado. Desculpem a falha.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Pessoas transformando cidades...

Durante o TEDx Curitiba, descobertas e trocas interessantes foram percebidas pela equipe vinavina. Essa semana, escolhemos três iniciativas que gostaríamos de compartilhar com vocês. 

Mínimas que são o máximo...

Pacote de Poesia


O Pacote de Poesia é uma homenagem que o SESC Paço da Liberdade faz a grandes poetas da literatura brasileira. Proporciona acesso a obras poéticas de vários autores, mesclando clássicos com contemporâneos, promovendo a prática da leitura e despertando, de forma lúdica, o prazer pela poesia. 

É um pacote de armazém com poemas impressos em folhas soltas de papel kraft. A distribuição é gratuita.


ProLago


O ProLago é um Programa de Educação Ambiental na APA (Área de Proteção Ambiental) do Iraí, localizada na Região Metropolitana de Curitiba. A APA do Iraí abrange as bacias hidrográficas dos rios formadores do Lago do Iraí, utilizado para o abastecimento público de água para mais de um milhão de pessoas. 

O programa tem como principal objetivo comprometer a população que vive na APA com as questões socioambientais, integrando comunidades de cinco diferentes municípios. 

Para saber mais, clique aqui


Universidade Livre do Meio Ambiente


A Universidade Livre do Meio Ambiente, Unilivre, é uma sociedade civil sem fins lucrativos. Um espaço para transferência de conhecimentos sobre o meio ambiente e ecologia, para a população. Uma referência em estudos de preservação de ecossistemas, economicamente sustentáveis. 

A sede da Unilivre é basicamente uma torre de madeira que se integra ao meio ambiente. Foi construída com troncos de eucalipto (vigas e pilares) e complementada com embuia, cambará, cedro e vidro. Uma rampa em espiral dá acesso a salas de aula, escritório e um mirante de 25m. 

Local de produção de conhecimento multi e interdisciplinar sobre meio ambiente e sustentabilidade urbana, a Unilivre desenvolve e executa projetos socioambientais e programas de capacitação para diversos segmentos: escolas, empresas, órgãos públicos, sindicatos e demais entidades do terceiro setor. 

Clique aqui para ver as fotos. 



Detalhe de um recanto na Unilivre.

“A natureza usa o mínimo possível de tudo.”
Johannes Kepler





Pessoal, continuamos com problemas técnicos na sessão INdica. Em breve, este problema será solucionado. Desculpem a falha.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Pessoas transformando cidades...

No dia 16 de julho aconteceu, em Curitiba (PR), o TEDx Curitiba. O Departamento Socioambiental da Vina esteve presente no evento, na pessoa de Juliana Foini, que faz parte da equipe Vinavina.

Para quem não conhece o TED, ou o TEDx, este post veio para explicar o que eles são e como eles são realizados.


TED

O TED (Tecnologia, Entretenimento e Design) surgiu em 1984. Todos os que participam, que comparecem e que apóiam o evento, acreditam no poder transformador das ideias para transformar atitudes, vidas e o mundo. O objetivo é fazer com que essas boas ideias se incorporem, cada vez mais, à nossa realidade. 


TEDx

O TEDx, um pouco diferente do TED, é um programa local, auto-organizado, que proporciona um debate profundo e uma conexão entre as ideias. O conceito é o mesmo do TED, porém, tudo é feito por voluntários, sem cobrança de taxas ou qualquer forma de pagamento. 
O evento não gera renda e não possui nenhum tipo de fim lucrativo. Desde a comissão organizadora até a plateia, são todos voluntários. Os palestrantes, os fotógrafos, os patrocinadores, todo mundo mesmo! Neste ano, o tema do TEDx Curitiba foi “Pessoas transformando cidades”

Entre 17 palestrantes, 40 voluntários, 5 organizadoras e pouco mais de 300 pessoas selecionadas para participar da plateia, estava também presente um desejo comum: o desejo de transformação e formação de rede. O TEDx possibilita aos seus participantes estarem com idealizadores de projetos e ações interessantes, mostrando que é possível pessoas transformarem cidades. 

Se quiser saber mais, neste link  você encontra vídeos com pedacinhos de algumas palestras e uma entrevista realizada com a organizadora do TEDx Curitiba e com dois voluntários que trabalharam no evento.


Em agosto, o vinavina vai postar ideias, ações, projetos e iniciativas vistas no TEDx Curitiba. Fique atento e não deixe de conferir...


Nós somos a sociedade, nós somos as cidades, nós somos a mudança. 
E você? O que tem feito para mudar a sua rua, o seu bairro, a sua vida?






Pessoal, ainda estamos com problemas técnicos na sessão INdica.
Em breve, este problema será solucionado. 
Desculpem a falha.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Viaje sem sair do lugar


As férias de julho chegaram e o vinavina traz para você um post reunindo o que há de melhor em Belo Horizonte, feito especialmente para quem quer aproveitar as férias sem gastar muito e sem ir muito longe.

Colônia de Férias
  
Para a meninada


A Livraria Corre Cotia preparou muita diversão para as crianças. Estão programadas oficinas de artes, culinária, jardim, música, show de mágica, contação de história, brincadeiras e jogos.

Para saber mais, clique aqui.
 

 Para vovôs e vovós


Colônia de Prata: colônia de férias destinada àqueles que têm mais de 60 anos. Iniciativa do Programa Cabeça de Prata do Minas Tênis Clube.

Para saber mais sobre a colônia de férias, clique aqui.
  Para conferir toda a agenda do Programa Cabeça de Prata, clique aqui.


Museus

Muitos museus da capital vão oferecer programação especial de férias. São oficinas, exposições, palestras e brincadeiras. Confira a programação dos principais museus de BH e da região metropolitana:

O Museu dos Brinquedos oferece colônia de férias e programação especial para o mês de julho. O destaque são as Oficinas Ecológicas, com oficinas de papel reciclado, confecção de cartão ecológico, integrando arte e meio ambiente.
 Para saber mais, clique aqui.
Para conferir a programação completa do museu, clique aqui.



No mês de julho, entre os dias 19 e 22, o Museu das Minas e do Metal (MMM) promoverá Oficinas de Férias para crianças acima de cinco anos de idade. Serão realizadas quatro oficinas de diferentes temas: Cristais, Pigmentos, Fotografia e Criação.
Para conferir a programação completa, clique aqui.



Museu Histórico Abílio Barreto 
Nas férias de julho, o Museu oferece aos visitantes uma programação repleta de novidades, com shows musicais, espetáculos de teatro e muita brincadeira!  
Para ver a programação, clique aqui.



Parques 


Muitos parques da capital vão oferecer programação especial de férias. São oficinas, trilhas ecológicas, debates e brincadeiras.
Clique aqui para conferir a programação.


Outras atividades



Para quem curte aventuras radicais, foi montado, em local fechado, um circuito adequado para crianças a partir de 4 anos e adultos.
Para saber mais, clique aqui. 


Vai vai vai começar a brincadeira...


Apresentações diárias e gratuitas de espetáculos circenses, oficinas e atividades recreativas para o público infantil e juvenil. 
Para saber mais, clique aqui.


Templo do Faraó


Entre as atividades disponíveis para a garotada, está um circuito de aventuras que desafia os pequenos a construir amuletos protetores, fazer pinturas em “papiros”, abrir sarcófagos, achar o caminho em meio a um labirinto e atravessar o rio Nilo repleto de “crocodilos".
Para saber mais, clique aqui.  


43º Festival de Inverno UFMG
De 08 de julho a 07 de agosto de 2011 


Em 2011, o Festival quer ampliar sua rede de ação, por isso terá seu funcionamento alterado, passando a contar com atividades em cinco municípios: Belo Horizonte, Brumadinho (Inhotim), Tiradentes, Cataguases e Diamantina.

Clique aqui para ver a programação completa.




Pessoal, estamos com problemas técnicos na sessão INdica. Por este motivo, as boas dicas das férias não serão disponibilizadas. 
Em breve, este problema será solucionado. 
Desculpem a falha.





 Até breve! Bom descanso...

sábado, 2 de julho de 2011

Na Lata



Nova seção deste blog, o Na Lata vai trazer, mensalmente, uma entrevista ou um texto interessante - sempre inéditos - que abordem o universo das boas idéias, das melhores práticas e das pequenas e grandes soluções para as questões atuais que envolvem a relação da sociedade com o meio ambiente. Repensar, junto com vocês, será sempre a nossa proposta.

Segue abaixo a nossa segunda entrevista.


A sustentabilidade é tridimensional

Profa. Teresa na sua sala no campus da UFMG: produzida com reutilização e inclusão social.

O blog Vinavina integra uma grande rede mundial – diversa, livre, pacífica e consciente - que se dedica a refletir e a divulgar as pequenas e grandes iniciativas socioambientais. Durante o mês de junho – em que celebramos o dia 5 como o Dia Mundial do Meio Ambiente inúmeros eventos em todo o planeta estão voltados justamente para refletir, divulgar, denunciar, promover, avançar e celebrar a relação do homem com a natureza e com o ambiente em que vive. Assim, para encerrar o mês de junho, entrevistamos a Profa. Doutora Maria Teresa Paulino Aguilar, Professora Associada da UFMG e coordenadora do Grupo NOC (Novos Olhares sobre a Construção e o Cidadão).  O tema escolhido por ela reúne todas as difíceis questões que, hoje, envolvem o indivíduo, a sociedade e a natureza. Vamos falar e refletir sobre sustentabilidade.

Instalações feitas de resíduos que projetam imagens surpreendentes.
Criadas por Tim Noble e Sue Webster.

O cuidado com o meio ambiente reflete a forma como as pessoas se relacionam com o lixo, com os vários tipos de resíduos produzidos e descartados diariamente. Como você percebe a relação atual do ser humano com o lixo?
Profa. Teresa Aguilar: O ser humano tem um repúdio natural em relação ao lixo e aos próprios resíduos que produz. Já está introjetado nas pessoas que o lixo deve ser descartado, deve ser jogado fora. É preciso trabalhar para uma mudança desse conceito. Os resíduos também podem apresentar encantamento, podem ser transformados em materiais úteis. O lixo pode e deve ser visto e trabalhado de forma positiva. O desafio é mudar o conceito de “resíduo” para “subproduto”, com um destino útil e favorável para melhorar o ambiente em que vivemos.

E o que pode ser feito para conseguir essa mudança de conceito?
Profa. Teresa Aguilar: Considerando que tudo está relacionado, é impossível separar o ser humano do meio ambiente. Assim, como educadora, procuro provocar nos alunos um novo olhar para os resíduos, procuro despertar nos alunos de engenharia um encantamento pelos resíduos e para as inúmeras possibilidades de trabalhar considerando que fazemos partes do meio ambiente, que devemos promover, literalmente, a construção de um ambiente melhor, mais confortável e que seja ainda melhor no futuro que estamos construindo. E isso não é fácil. Para mudar um conceito é preciso estar com a cabeça mais aberta e, na área das ciências exatas, com uma visão muito focada na técnica - essa é uma tarefa ainda mais difícil. O aluno precisa ser motivado a descobrir outras maneiras de olhar o mundo e de se relacionar com o meio ambiente.

Obra de arte de Vik Muniz, feita com resíduos. Da série "Lixo".

Como seria esse processo para um novo olhar sobre o meio ambiente?
Profa. Teresa Aguilar: Precisamos mudar o nosso olhar de maneira geral. Só uma mente aberta é capaz de aceitar a mudança de um conceito. E são muitos os olhares. Tem o olhar mais consumista, tem o olhar mais social, o olhar ecológico, o olhar do ponto de vista da saúde, do ponto vista do conforto material... Não sei qual o seria o mais importante. Mas, de todos esses, o olhar mais pobre é, sem dúvida, o econômico. O caminho para qualquer mudança é a educação. Assim, de minha parte, posso orientar o aluno para olhares que privilegiem e considerem o meio ambiente. Nossa orientação inclui oferecer esses novos olhares para os resíduos, para as inúmeras possibilidades de seu aproveitamento como subproduto, para a importância de pensar a construção de um ambiente cada vez mais favorável para todos, agora e no futuro. Acredito que, nesse sentido, o nosso trabalho na Escola de Engenharia já tem surtido efeitos positivos.

Recentemente, a sua sala de trabalho, na Escola de Engenharia da UFMG, foi reformada e transformada em uma sala totalmente diferente dos padrões da escola: tudo nela foi construído com material reciclado. Como é ser diferente em um universo tão técnico, tão formal? Qual é o olhar que os alunos e demais profissionais têm para a sua nova sala e para a sua proposta?
Profa. Teresa Aguilar: Primeiramente, os alunos ficam curiosos por uma sala diferente: colorida, enfeitada e querem saber o porquê daquilo. Quando descobrem que toda a sala foi montada com resíduos, ficam encantados e querem saber mais. Alguns trazem até mimos para a sala, feitos por eles ou por familiares. A sala atende ao nosso objetivo: sensibilizar os alunos para a presença e a possibilidade de reaproveitamento dos resíduos. A sala também encanta ou desperta a curiosidade de outros professores.

Detalhes da sala. Parceria Vina e Escola de Engenharia UFMG.

Professora Teresa, o tema da sustentabilidade vem sendo debatido e cada vez mais considerado nos projetos e nas ações voltadas para garantir um futuro equilibrado na convivência da humanidade com o ambiente em que vivemos. Como você vê essa questão?
Profa. Teresa Aguilar: A sustentabilidade é uma questão de vida. É uma utopia. É quando se consegue o equilíbrio entre o social, o econômico e o ambiental. É o caminho do meio. É um processo que exige decisões individuais equilibradas. É uma nova maneira de olhar o mundo procurando acertar. Por exemplo, quando usamos o copinho de papel descartável: não precisa usar um novo copo a toda hora; você pode usar um mesmo copo o dia inteiro e, no final do dia, você o descarta. Se é um copo de louça, você tem que lavar, vai gastar água. Mas é possível lavar o copo sem gastar muita água. Se levarmos tudo com muito rigor, vamos ficar doidos. Por isso, a sustentabilidade pede bom senso.

E você acredita que as pessoas estão preparadas para entender e praticar o conceito de sustentabilidade?
Profa. Teresa Aguilar: O ser humano não gosta de mudanças, não gosta de sair da sua zona de conforto; só sai quando isso representa um ganho ou uma perda muito grande. É preciso convencer as pessoas de que suas atitudes individuais afetam as outras pessoas e interferem diretamente no mundo. Tudo está relacionado. E existem muitas maneiras de nos relacionarmos com o meio ambiente. Porém não estamos ainda devidamente preparados. Na área da construção civil, por exemplo, isso é evidente. Tivemos muitos avanços, mas as pessoas não estão preparadas para usar devidamente as tecnologias oferecidas. Já existem pessoas investindo em construções “inteligentes”, que utilizam a tecnologia para economizar energia, para captar a água da chuva... Mas do que adianta recolher a água da chuva para molhar plantas ou lavar carros em um lugar em que não chove? Por isso, eu digo que só existem duas maneiras de implantar ações transformadoras: a primeira, em curto prazo, é pela regulamentação das práticas, as leis – ambientais, sociais e econômicas - que orientam as pessoas e determinam posturas. E a outra forma, em longo prazo, é a educação. O olhar ainda é muito estreito, é preciso ampliar o campo de visão e isso só é possível com a educação. Tenho muito claro, para mim, que criar e educar uma pessoa equilibrada é uma forma de praticar a sustentabilidade. E isso é muito difícil de realizar. Agora, eu digo uma coisa: as mudanças só virão de fato quando virarem lei. A lei é capaz de promover, socialmente, uma mudança de fato. A soma da educação com a conscientização e com a regulamentação pode acelerar esse processo evolutivo de respeito ao ser humano e à natureza.

Lixão Brasília (Por Francisco Stuckert, 2007)
 
Em que momento desse processo evolutivo nós estamos agora?
Profa. Teresa Aguilar: Acredito que estamos entrando em uma nova era. Agora a preocupação tem que ser com o outro, com o mundo, com o ambiente inteiro. O homem precisa tomar consciência de que faz parte do meio natural e que vai ter que tomar decisões que vão afetar a vida das outras pessoas. O homem atual precisa voltar a se integrar com a natureza e, sem jogar fora os valores construídos, buscar um equilíbrio que inclua os outros homens e o meio em que vive. A natureza não está fora da gente. Nós fazemos parte dela. É o momento de estabelecer uma relação mais amigável com a natureza. Cada um precisa enxergar o seu papel nesse processo.

Qual é a sua sugestão? Existe uma boa receita para atuarmos nessa transformação em curso?
Profa. Teresa Aguilar: De fato, essa é uma equação dificílima. As alterações são socioculturais e exigem mudanças profundas. Não existe receita para a sustentabilidade: temos que praticar. A sustentabilidade é tridimensional. Cada decisão que tomarmos deverá ser ponderada no sentido de contemplar as três áreas: a social, a econômica e a ambiental. E seremos exigidos a tomar decisões individuais, equilibradas e permanentes, em favor dessa sustentabilidade.  Se conseguirmos convencer as pessoas que têm filhos e netos de que elas têm que se preocupar agora com o ambiente a ser preservado para o futuro, poderemos mostrar que esta é uma preocupação de amor pelo próximo. Pois a herança que vamos deixar é a de um ambiente que deve favorecer a vida. O meio ambiente afeta a nossa maneira de agir. Ele é tudo, inclusive você. Assim, é preciso cuidar de você, cuidar das suas relações pessoais e, depois, cuidar do ambiente à sua volta. 



Maria Teresa Paulino Aguilar
Graduada em Engenharia com doutorado em Engenharia Metalúrgica e de Minas pela Universidade Federal de Minas Gerais. É Professora Associada da Universidade Federal de Minas Gerais. Tem trabalhos de pesquisa e extensão em Estrutura e Comportamento Mecânico dos Materiais Cimentícios e Metálicos, e Sustentabilidade das Edificações. Coordena o Grupo NOC (Novos Olhares sobre a Construção e o Cidadão).

Entrevista realizada em 9.6.2011
por Élida Murta.



 
Não deixe de conferir as boas dicas do INdica.
Sugestões da Profa. Teresa e de Élida Murta. 




“Grandes realizações são possíveis quando se dá atenção aos pequenos começos.”
(Lao-Tsé, Século VII a.C.)