quarta-feira, 18 de maio de 2016

Maio Amarelo: atenção pela vida.

MAIO AMARELO é um movimento internacional de conscientização para redução de acidentes de trânsito.

O Movimento nasce com uma só proposta: chamar a atenção da sociedade para o alto índice de mortes e feridos no trânsito em todo o mundo.


     



Acompanhando o sucesso de outros movimentos, como o Outubro Rosa e o Novembro Azul, os quais, respectivamente, tratam dos temas câncer de mama e próstata, o MAIO AMARELO estimula você a promover atividades voltadas à conscientização, ao amplo debate das responsabilidades e à avaliação de riscos sobre o comportamento de cada cidadão, dentro de seus deslocamentos diários no trânsito.




O objetivo do movimento é uma ação coordenada entre o poder público e a sociedade civil. A intenção é colocar em pauta o tema segurança viária e mobilizar toda a sociedade, envolvendo os mais diversos segmentos: órgãos de governos, empresas, entidades de classe, associações, federações e sociedade civil organizada para, fugindo das falácias cotidianas e costumeiras, efetivamente discutir o tema, engajar-se em ações e propagar o conhecimento, abordando toda a amplitude que a questão do trânsito exige, nas mais diferentes esferas.




Vale ressaltar que o MAIO AMARELO, como o próprio nome traduz, é um movimento, uma ação, não uma campanha; ou seja, cada cidadão, entidade ou empresa pode utilizar o laço do MAIO AMARELO em suas ações de conscientização tanto no mês de maio, quanto, na medida do possível, durante o ano inteiro.




A chave para a redução da mortalidade, segundo o relatório, é garantir que os estados-membros adotem leis que cubram os cinco principais fatores de risco: dirigir sob o efeito de álcool; o excesso de velocidade; o não uso do capacete, do cinto de segurança e das cadeirinhas. Apenas 28 países, que abrigam 7% da população mundial, possuem leis abrangentes nesses cinco fatores.




Para saber mais e participar do movimento acesse maioamarelo.com



segunda-feira, 18 de abril de 2016

Dia de Índio

O dia 19 de abril foi sugerido pelos líderes indígenas do continente que participaram, no México, do Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, em 1940.

No Brasil, o  Dia do Índio foi criado pelo Presidente Getúlio Vargas, com o decreto-lei nᵒ 5540 de 1943.

Infelizmente a violência e a covardia do agronegócio vêm destruindo os nossos recursos naturais e invadindo e dizimando nossas comunidades indígenas.

Outra grande preocupação é o atual avanço dos novos "evangelizadores", que vêm contribuindo para destruir o que ainda resta da cultura do índio brasileiro.

Para preservar a cultura indígena do Brasil é preciso conhecer as suas histórias e a sua triste realidade. Só assim, a sociedade moderna vai poder reconhecer e valorizar os costumes, a relação com o meio ambiente e a cultura dos povos nativos do Brasil e de todas as Américas.






Leia a letra e veja uma bela apresentação ao vivo da canção de Baby do Brasil, Todo Dia Era Dia de Índio, acompanhada do grande Jorge Bem Jor:



Curumim, chama Cunhatã
Que eu vou contar

Curumim, chama Cunhatã
Que eu vou contar

Todo dia era dia de índio
Todo dia era dia de índio

Curumim, Cunhatã
Cunhatã, Curumim

Antes que o homem aqui chegasse
Às Terras Brasileiras
Eram habitadas e amadas
Por mais de 3 milhões de índios
Proprietários felizes
Da Terra Brasilis

Pois todo dia era dia de índio
Todo dia era dia de índio

Mas agora eles só tem
O dia 19 de Abril

Mas agora eles só tem
O dia 19 de Abril

Amantes da natureza
Eles são incapazes
Com certeza
De maltratar uma fêmea
Ou de poluir o rio e o mar

Preservando o equilíbrio ecológico
Da terra,fauna e flora

Pois em sua glória,o índio
É o exemplo puro e perfeito
Próximo da harmonia
Da fraternidade e da alegria

Da alegria de viver!
Da alegria de viver!

E no entanto,hoje
O seu canto triste
É o lamento de uma raça que já foi muito feliz
Pois antigamente

Todo dia era dia de índio
Todo dia era dia de índio

Curumim, Cunhatã


Cunhatã, Curumim

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Mulheres e a venda de produtos

O mês (considerado) das mulheres passou e muito se falou a respeito de suas conquistas, mas uma parte desse assunto ainda gostaríamos de abordar: o uso da imagem feminina na publicidade. Isso sempre levantou grandes polêmicas. E não é de hoje!

O preconceito e o machismo, principalmente, foram evidentes em décadas passadas. As mensagens eram diretas: os homens vão trabalhar e as mulheres cuidam da casa. Era nítida a desvalorização da imagem feminina, do papel social da mulher.

Recentemente, a Sony também entrou nessa discussão, utilizando a figura feminina numa propaganda da PlayStation Vita, em uma revista francesa. O anúncio mostra a imagem de uma mulher com seios na frente e atrás, em que aparecem os seguintes dizeres: “Duas faces táteis, o dobro de sensibilidade”, referindo-se à tela de toque frontal e ao painel de toque traseiro. O anúncio gerou muita polêmica.



Para traçar um panorama do uso da imagem feminina na publicidade para reforçar o ideal machista, apresentamos uma seleção de anúncios das décadas de 1950 e 1960 que se mostram, hoje, verdadeiras aberrações.

Me Leggs: “É muito bom ter uma garota em casa”.


Corbatas Van Heusen: “Mostre para ele que é um mundo de homens”


Fusca: Papéis bem definidos.


Electrolux: "Viseira de Cavalo... Porque ela recusa (recusa aceitar) novas ideias".


White: O sonho de toda mulher: uma máquina de costura.


Alcoa: O presente ideal, segundo este anúncio, é um ferro de passar.


Griffin: Não, este anúncio não está vendendo lingerie, mas sim a graxa do sapato.


Kenwood: “O chefe faz tudo, mas cozinhar… Para isso existem as esposas!”.


Vitaminas PEP: "Quanto mais duro uma esposa trabalha, mais bonita ela fica!".


Chase & Sanborn: Se não fizesse um bom café em casa… poderia receber ‘palmadas’ de seu marido.

Na sociedade brasileira atual, é inegável a conquista de direitos e de espaços pelas mulheres. Mas, infelizmente, a publicidade continua explorando a imagem feminina para promover e vender seus produtos.



terça-feira, 8 de março de 2016

Mulheres!

Cada vez mais, fica evidente que já não faz nenhum sentido aceitar que existam diferenças entre homens e mulheres no direito de estar no mundo. Neste século 21, os papéis sociais das mulheres – além do que já têm, naturalmente, como mãe, avó, tia, madrinha, irmã, amiga... – vêm confirmando o seu valor como ser pensante, atuante e competente. Igualdade, liberdade e justiça entraram definitivamente na pauta e na vida de todas as mulheres do mundo. Os padrões ultrapassados de comportamentos sociais machistas e preconceituosos vão, aos poucos, encontrando na referência do feminino – em todos os gêneros – um caminho novo de convivência para a humanidade. 

Falta muito, é verdade. Mas tolerância, reconhecimento e respeito precisam ser conquistados e fortalecidos como conceitos fundamentais que devem reger as relações entre as pessoas de todos os gêneros para garantir um futuro de paz e harmonia para todos.


Mulheres, vocês são incríveis! 
E merecem ser homenageadas todos os dias!


O vinavina preparou uma seleção de referências sobre a atuação das mulheres contemporâneas. 
Confiram abaixo. Vai valer a pena!

21 mulheres incríveis que mudaram o mundo!
Por muito tempo, muito tempo mesmo, ser mulher era sinônimo de não ter direitos. Elas não podiam estudar, trabalhar, votar ou se interessar por qualquer assunto que não fosse cuidar de filhos e fazer enxoval. 

Felizmente, algumas coisas já mudaram nesse sentido na maior parte do mundo, por mais que muitas mulheres ainda sejam reprimidas e violentadas apenas por causa de seu gênero. 

A seguir, conheça uma lista de grandes mulheres que deixaram importantes contribuições sociais, culturais e científicas para a humanidade.




Assédio 
Juliana de Faria faz um apelo contra o assédio sexual e a violência contra a mulher.
Ela conta sobre a campanha "Chega de Fiu Fiu", que tem por objetivo combater o assédio sexual em locais públicos. 
A campanha recebe denúncias de violência contra a mulher em todo o Brasil e cria um mapa colaborativo que facilita microtransformações.




Dandaras: a força da mulher quilombola
Esse vídeo tem por objetivo apresentar as trajetórias e o engajamento de mulheres quilombolas que atuam como lideranças políticas de suas comunidades e do movimento quilombola como um todo.



Documentário Memórias Femininas da Luta Contra a Ditadura Militar
O documentário é um projeto do Laboratório de Estudos do Tempo Presente (Instituto de História/UFRJ) que aborda a trajetória de mulheres que atuaram na resistência à ditadura militar brasileira a partir de depoimentos do acervo Marcas da memória: história oral da anistia no Brasil
Apoio: Universidade Federal do Rio de Janeiro e Comissão de Anistia do Ministério da Justiça.




12 livros escritos por mulheres negras
De romance à ficção científica, passando por poesia e desbravando histórias de grandes guerreiras como Dandara dos Palmares, uma lista de livros escritos por autoras negras para conhecer neste ano.


Veja aqui



Calendário Pirelli: Sinal dos tempos 
Nada de modelos sensuais na edição do calendário 2016 da fabricante de pneus Pirelli. Pela primeira vez em 53 anos, a marca decidiu quebrar paradigmas. 

São 13 mulheres de notáveis conquistas profissionais, sociais, culturais, esportivas e artísticas, escolhidas por suas carreiras inspiradoras, por suas realizações e que são exemplo de empoderamento. 

A responsabilidade de retratar essa mudança no conceito do calendário ficou nas mãos da fotógrafa Annie Leibovitz

“Eu queria que as imagens mostrassem as mulheres exatamente como elas são, sem nenhuma pretensão”, explicou a fotógrafa.


Ainda hoje é possível que muitas pessoas não conheçam o trabalho artístico de Yoko Ono. Em 1971, John Lennon já afirmava que ela era uma “das mais famosas artistas desconhecidas do mundo”.

As obras de arte da artista plástica de 82 anos são marcadas pela vanguarda e pelas provocações. Ela também é uma figura singular no mundo da música e nos movimentos feministas e de paz.

A proposta do Calendário 2016 foi alcançada com êxito: mulheres incríveis, fortes e inspiradoras, que passam a mensagem de empoderamento, pois têm em destaque suas realizações em vez de seus corpos. 
Um detalhe, porém, é que somente clientes importantes da Pirelli ou celebridades irão ganhar esse calendário de brinde. 




segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Brincar para viver

O cenário da educação, no Brasil e no mundo, é diverso e é desigual. A educação é a base para a descoberta e o entendimento de um mundo cada vez mais complexo. Embora esse cenário atual – e não só na educação - não seja favorável para a maioria das crianças do planeta, felizmente encontramos pessoas e grupos – educadores sensíveis e atentos – que “estão corajosamente enfrentando os desafios de reinventar a educação infantil do nosso tempo”. 

As crianças pequenas têm um mundo próprio e estão dando os primeiros passos na jornada da vida. Em favor do crescimento pleno dessas crianças, que têm um longo caminho a percorrer - na educação e na vida -, precisamos conhecer e valorizar o universo da infância. Contrariando modelos de educação que promovem o individualismo e transformam as escolas em espaços de “castigo”, é preciso investir na criação de espaços de liberdade, ampliando a prática da melhor coisa que existe e que as crianças sabem de cor: brincar!


E como brincar não tem fronteiras, vamos conhecer uma dessas pessoas que vêm abrindo espaços significativos para a alegria e a liberdade de brincar e de aprender brincando.

Ela é brasileira, mora em Nova York há 14 anos, e com o seu Let’s Playgroup vem chamando as crianças para brincar todos os dias. Sua casa se transforma diariamente em território livre, adaptado para receber crianças de idades variadas que, ali, podem conviver, descobrir, explorar, aprender, interagir e, principalmente, se sentem livres para brincar sem parar!



LET’S PLAYGROUP!


Meu nome é Alessandra Luiza de Morais Gabriel, mas ganhei de uma criança o apelido de Lelé e aí sou Lelé desde sempre. Vim para Nova York em 2002, para ficar por seis meses, e nunca mais voltei. 

Quando cheguei a NY, eu encontrei um grupo de brasileiros e brasileiras, que tinham filhos pequenos, nascidos nos EUA, e que estavam preocupados com a prática da língua portuguesa. Assim, comecei a dar oficinas de brinquedo, conversando só em português e brincando as brincadeiras do Brasil. Depois, a mãe de uma das crianças me incentivou a trabalhar com crianças americanas também e eu formei um novo grupo. A partir daí, eu mudei a minha forma de trabalhar as oficinas. Até então eu brincava como brincava no Brasil e eu senti a necessidade de conhecer a cultura infantil americana também. As crianças eram muito pequenas e eu fui atrás de referências, canções e histórias americanas, pois era preciso uma adaptação àquela outra realidade infantil, e foi assim que surgiu o Playgroup.

O nosso Playgroup funciona na minha casa com crianças de várias nacionalidades, de 2 a 4 anos de idade, de segunda a sexta, e, às terças e quintas, estou trabalhando também, mais uma vez, com uma oficina só para crianças brasileiras.


A Filosofia do Let’s Playgroup
Ao brincar as crianças experimentam uma liberdade de ser, aqui e agora, em toda a sua totalidade. Ao brincar juntas, elas criam as próprias regras e aprendem a lidar com os próprios limites. O resultado desse encontro é o que eu chamo de cultura infantil.

Meu trabalho é baseado no desejo de que as crianças vivam essa cultura plenamente, na qual brincar é uma linguagem universal do conhecimento que inicia o ser humano em uma vida de liberdade, felicidade, unidade, equilíbrio, harmonia, humanidade e grandeza.



Espaço livre para brincar 
A casa da Lelé é antiga, não é muito grande, mas tem um pequeno quintal, com árvores, jardim e laguinho. Embora tenha tentado, ela não conseguiu uma licença oficial para usar o local para trabalhar. Ela decidiu correr o risco – junto com os pais – em nome da liberdade que as crianças têm ali. A licença oficial implicaria muitas limitações e regras que são o oposto da liberdade que o Playgroup oferece. É um risco que tem valido a pena, não é, Lelé?. 

A minha responsabilidade é gigantesca. Aqui tudo é muito contido, é um país controlado pelo medo o tempo todo. Tudo vale um processo. Mas o nosso espaço é aberto e eu explico para as crianças, na prática diária, quais são os limites e os perigos da casa. Eu explico bem, elas me entendem e, assim, nunca tivemos nenhum problema aqui, nenhuma criança saiu machucada. E já são 13 anos! 

Aqui temos muitos brinquedos, mesinhas, cadeirinhas, gavetas cheias, tecidos, almofadas, e tudo pode sair do lugar e pode servir para construir as brincadeiras. À medida que eles vão crescendo, o corpo vai entrando na brincadeira, a criança vai dominando o espaço e explorando novos movimentos, vai descobrindo habilidades, vai aprendendo coisas novas na convivência com as outras crianças. Se a criança está em um espaço onde ela pode correr, pode pular, pode subir, ela vai saber se movimentar nele. 

Eu trabalho também muito com histórias e música, especialmente com a música brasileira. Tem uma alegria na música brasileira que faz todo mundo dançar. A reação das crianças é sempre diferente. Eu adoro que elas cantem em português. Toda vez que eu canto ou conto uma história que eu digo que é brasileira e que é de quando eu era criança, existe um interesse maior. Elas ficam muito curiosas, querem ouvir e querem aprender. 

Aprendi com a educadora Lydia Ortélio, nunca esqueci e confirmo isso o tempo inteiro: na brincadeira, primeiro vem o movimento, depois a melodia, e, por último, a palavra. Quando as crianças cantam uma música em uma língua que elas não entendem, certamente cada uma vai ouvir e entender de uma forma diferente. A palavra vai mudar, mas a melodia será a mesma.


Esme (3 anos), frequenta o Playgroup.

Tulia (3 anos), também é do Playgroup. 


A gente não está formando o ser humano só para saber
A escola de hoje promove um massacre sobre a criança: pouco espaço, muita informação e muitas restrições. A hora e o lugar do recreio – quando o recreio existe - já virou outra coisa. O tempo do lanche é corrido, não existe espaço para brincar, e o individualismo e a inércia são estimulados e promovidos o tempo todo. As férias de julho duram só 15 dias! A realidade da escola mudou muito, o mundo é outro. Há um movimento contra o território da infância em curso. Na opinião da Lelé, tudo o que dá errado nos EUA e eles já não querem mais, o brasileiro copia. Acham que esse modelo de escola vai funcionar e não vai. Importaram até o bullying!

A gente cresceu numa época em que a gente ia pra escola de 7h às 12h ou de 13h às 17h. Aqui as crianças entram na escola às 8h e saem às 14h50. Ficam durante quase sete horas do dia num lugar onde o brincar muitas vezes não existe. Em um lugar onde não há muito espaço para “ser”, só para “aprender”. Criança brinca, não adianta. Ela sempre vai achar um jeito de brincar. Ela pode estar amarrada, pode estar presa, ela vai achar um jeito de brincar. É da natureza da criança querer brincar. Agora, a questão é a qualidade desse brincar, o que esse brincar vai significar na vida dela, em termos de desenvolvimento e crescimento. Aí é que são elas! Eu acho que uma criança livre, que vive no interior, por exemplo, e que está livre para brincar e escolher o que quer fazer, ela entende que é responsável por ela mesma. Vai aprender desde cedo a fazer suas escolhas, e a saber que toda escolha tem uma consequência. No momento que sai pela porta de casa e que a mãe não sabe mais onde ela está, a criança torna-se responsável por ela mesma. Eu cresci assim. Eu sei da força que existe e do poder dessa força quando nos é dada a chance de ser livre.

Aqui em Nova York tem um monitoramento que acontece o tempo inteiro. O pai e a mãe ficam em cima da criança. Eu observo muito isso aqui. Você sai para dar um volta no Parque – Lelé mora perto do Prospect Park, no Brooklyn – e passa na frente do playground. O que você vê? Um espaço cercado, lotado de crianças que estão “se matando” para usar um brinquedo, ou estão correndo, batendo, jogando areia umas nas outras. E as mães e as baby sitters lá, no celular ou conversando umas com as outras. Por que levam para o playground? Porque ali está tudo pronto, cercado, trancado, seguro. Mas qual é o sentido de ter um playground cercado dentro de um parque? Do lado de fora tem um gramado enorme e muitas árvores. Se os pais levam os meninos para o parque, para o espaço aberto, é claro que a primeira coisa que eles fazem é correr! Mas não quero, aqui, diminuir a importância dos playgrounds nos espaços urbanos. Seja no parque, nas praças, o que vemos muitas vezes são pais cansados e sem energia para brincar com essas crianças. E não tem que ser assim. As crianças não precisam de tanta restrição. Precisam de companhia e espaço livre para brincar.




 Clique nas fotos para ampliar. 


Criança é “sobre si” 
Como você vê a importância do seu trabalho com essas crianças, como isso vai refletir na vida delas, no seu desenvolvimento? Elas crescem, vão pra escola e muda tudo. Qual é a influência que isso vai ter no futuro? Qual é a sua contribuição para a vida dessas crianças que passam pelo Playgroup? 

A criança, quando ela brinca, quando está concentrada e completamente entregue à brincadeira, existe uma conexão e uma descoberta absoluta do ser. Acho que dar a chance para uma criança brincar livre é dar a chance de ela saber quem ela é. Não é ninguém falando quem ela é ou o que vai ser, ela sabe quem ela é. Se ela não tem essa chance desde quando nasce, quando é que a criança vai ser livre? A hora de saber quem a gente é acontece justamente quando brincamos. A gente, que brincou muito, toda vez que a gente para e lembra do que fez e brincou, não existe uma palavra que vá descrever aquele sentimento, mas existe um sentimento de conexão, de um todo. É uma coisa só, não tem partes divididas, sabe, a cabeça imaginou isso, meu corpo fez aquilo. Não! É uma coisa inteira, né? Eu tenho lembranças de sensações de brincar, por exemplo, de quando eu descia na pirambeira em um carrinho de rolimã. Carrinho que a gente construía! O sentimento daquilo, de você pegar do nada e construir uma coisa, junto com seus amigos, de escolher quem vai na frente. Cada hora era um que guiava o carrinho, e a gente descia morro abaixo. Essa sensação não tem preço! É um autodomínio, você pode ser, você é “sobre si”. Um menino, lá na Bahia, o Marivaldo, foi quem me disse isso: que ele era “sobre si”. O que ele queria dizer com isso? Que ele sabia exatamente o que queria, que ele era responsável, era inteiro no que ele fazia. 


É preciso deixar os meninos serem “sobre si”. Acho que esse é o grande valor do brinquedo, do brincar. No brinquedo os meninos são. Qualquer um é, não é só criança. É ali que você está em conexão plena. E, se for na natureza, então é melhor ainda!


 


É preciso preservar um tempo para brincar, é a hora de não fazer nada. É nessas horas que muita coisa boa pode acontecer. 

A criança fica o dia inteiro na escola, naquele stress de horários e restrições, e, quando chega em casa, vai fazer o quê? Vai fazer o dever de casa. Então, que horas que você vai fazer nada? Tem que ter uma hora para não fazer nada. E é na hora de não fazer nada que uma série de coisas incríveis acontece. Mesmo aqui, tem dia que elas não querem fazer nada. Deitam ali no colchãozinho vermelho, entram debaixo da mesa ou sentam na cadeirinha de balanço e ficam lá, quietinhos. Aí eu chego e pergunto: do que você está brincando? De nada! Ah! Então tá! Dali a pouco, as outras crianças querem saber por que ele está ali e todas entram debaixo da mesa e, aí, o ‘não fazer nada’ vira uma nova brincadeira! 

Às vezes a gente tem a ansiedade de ocupar a criança. A criança não tá fazendo nada e a gente quer que ela faça alguma coisa. Na verdade, um ‘não fazer nada’ é um ‘pré-fazer tudo’! Se você fica ocupado o tempo todo, não sobra espaço para surgir uma coisa melhor. A criança, quando não está sendo monitorada, não faz nada que não seja da vontade dela. E tudo o que ela faz é muito verdadeiro, muito genuíno.


 
Clique nas fotos para ampliar. 


Hoje estamos só andando para trás, existe um movimento contrário – especialmente nas escolas - sobre o que deve ser o espaço apropriado para a criança. Existe a questão do medo, da violência... 

Existe uma violência hoje em dia maior? Existe. Mas acho que o medo é maior do que a violência que existe na rua. Eu acredito que um movimento contrário ao medo ajudaria nessa questão. Temos que ocupar melhor os espaços da cidade, ir mais aos parques, às praças e criar um senso maior de comunidade. Assim, ocupando a cidade e em comunidade, a gente aos poucos vai diminuindo o espaço da violência. Na periferia, onde a violência é maior, as crianças estão todas na rua! 

Criança gosta sempre de estar junto, gosta desse encontro. Uma coisa é o que o adulto acha que é bom pra criança e, a outra, é o que um adulto que observa bem a criança sabe que é bom. Porque muita coisa que dizem que é bom pra criança não é. Tem mais a ver com o que o adulto deseja para a criança ou para si do que realmente é bom pra ela. Por exemplo, todas essas atividades guiadas pra preencher o tempo da criança, usando o “brincar”, o “brinquedo” como isca.

O brinquedo e o brincar não têm que ter um propósito. Se existe essa ideia de que o brinquedo tem que chegar a algum lugar, tem que ter um objetivo, já não é brincar, é outra coisa. E as escolas usam o brinquedo nesse sentido. Fingem que estão brincando, mas não estão! Porque brincar é um movimento livre, espontâneo, que vai acontecendo e que não tem que chegar a lugar nenhum.

 


Lúdico é primo-irmão de pedagógico... 
Muitas vezes me perguntam: qual é a sua linha pedagógica? A minha “linha pedagógica” é a intuição. É olhar para a criança e ver o que ela quer, o que ela precisa pra fazer o que ela quer. É uma conexão que você cria com as crianças e que te permite entender o que está sendo pedido ali, o que pode acontecer ali. Não tem linha nenhuma. É brincar. É só brincar. Eu não ensino nada. Eu brinco junto!




Quando as crianças chegam, quando eu abro a porta, 
eu me esqueço do resto. 
Eu me transformo em mais uma criança brincando ali. 
E isso só acaba quando elas vão embora. 

Lelé



Lelé durante a entrevista realizada, pelo Skype, por Élida Murta. 

Lelé (Alessandra Luiza de Morais Gabriel) nasceu em Belo Horizonte (MG). Formada em Belas Artes pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, sua experiência com crianças começou quando ela ainda era estudante e se encantou com o universo da cultura infantil. Decidiu se dedicar a pesquisar e a fazer valer o que as crianças, brincando, naturalmente já sabem. Vem aprendendo diariamente com elas. Em 2002, mudou-se para NY e abriu playgroups em Manhattan e em Park Slope. Desde 2004 vem aprimorando o seu aprendizado de brincar com as crianças no espaço livre do seu Let’s Playgroup.

Élida Murta é jornalista e colaboradora deste blog há 5 anos.



terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Sempre é tempo de aprender...

Em época de volta às aulas, nos preocupamos com o material escolar para os filhos, com o meio de transporte adequado, com a nova mochila e com várias outras coisas. Mas é tempo também de começar a pensar sobre o rumo da educação no Brasil. 

Não é de hoje que pessoas ao redor do mundo questionam o modelo tradicional de educação. Cada vez mais torna-se necessário o intercâmbio entre o método tradicional de ensino e os avanços tecnológicos, com conteúdos dinâmicos e de qualidade para prender a atenção dos alunos, aliados aos conteúdos elaborados pelos professores. Outro aspecto fundamental é o contínuo envolvimento da família nesse processo. 

Pensando nisso, o vinavina traz uma série de postagens especiais sobre essa questão.





Questionando
Que tal começar nossa reflexão acompanhando a produção consistente e criativa de pessoas que já estão ampliando a discussão sobre a educação no mundo? Muitos filmes e documentários discutem os conflitos e contradições do modelo educacional vigente, apresentando novas alternativas.

Confira aqui uma lista de sete filmes, nacionais e internacionais, inspirados na proposta de (re)pensar a educação. A gente destaca o documentário de João Jardim, "Pro dia nascer feliz", de 2006. O filme descreve o cotidiano de jovens em escolas de diferentes regiões brasileiras. Do sertão de Pernambuco a um bairro elitizado de São Paulo, passando por uma instituição para adolescentes em conflito com a lei, Jardim encontra excelentes personagens para expor a complexidade da educação no Brasil, entrevistando estudantes e professores em seus ambientes e rituais escolares. O sofrimento, a solidão, os medos e os sonhos desses jovens são narrados por suas vozes, em depoimentos emocionantes e reveladores, assim como a batalha de quem trabalha, com pouquíssimos recursos, em um sistema historicamente defeituoso no que diz respeito à educação. Confira abaixo o trailer: 





Não perca essa!
O caminho para a construção de uma nova realidade - na educação e na vida – passa pela valorização do universo da infância com a criação de espaços de liberdade para a melhor coisa que existe e que as crianças sabem de cor: brincar!


Em 2016 vamos compartilhar, aqui, iniciativas e experiências de pessoas, grupos e instituições que vêm, corajosamente, trabalhando para criar e garantir espaços valiosos de interação e vivência do universo livre da infância.

Para começar, vocês vão conhecer Lelé Luiza e seu Let's Playgroup. Aguardem!






sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Carnaval é coisa séria!

O vinavina volta de férias para entrar em ritmo de folia! 



Sim! O carnaval já está aqui, batendo na nossa porta, e estamos prontos e ansiosos para recebê-lo de braços abertos. Nesse post você confere todas as dicas para curtir os bloquinhos de rua em BH e também conhece um pouco da história desse carnaval que vem atraindo cada vez mais adeptos! 



Ano passado, os blocos de rua bateram recorde de público e os turistas que vieram curtir o carnaval da capital, que antes ficava vazia nessa época, saíram daqui com um gostinho de quero mais, contagiados pela energia maravilhosa dos bloquinhos de rua, que cantam e dançam em nome da luta por um carnaval mais democrático e menos privatizado. 

Para qualquer um que conhece e participa do carnaval de BH, fica claro que quem faz a festa é o povo, formando uma rede de pessoas engajadas que botam seus blocos e fantasias na rua, que cantam e tocam, que reinventam a cidade em seu ocupar pedestre.

Esse Carnaval, que foi retomado quase como uma brincadeira séria, sempre diurno, diverso, espalhado, horizontal, se tornou, também, uma via de acesso a lugares esquecidos da cidade, reconquistando o protagonismo do cidadão que é pedestre e quer usufruir do espaço público que lhe é direito.


Segundo a Belotur, o carnaval de 2015 foi histórico. As estatísticas apontam que um total de 1.450.000 pessoas curtiram o carnaval de BH e suas 289 atrações em todos os pólos da região. A festa gerou 4,7 mil empregos temporários para a população de Belo Horizonte. 

O Carnaval de BH em 2016 promete ser um dos maiores que a cidade já viu. ​Por isso, vale ficar atento e ligado na programação dos bloquinhos, que já começaram seus ensaios abertos e contam com foliões animados para curtir a festa! 


Blocos Caricatos
Com muita criatividade nas fantasias e nos adereços, os blocos caricatos e escolas de samba levam para a avenida baterias de ótima qualidade e integrantes dispostos a demonstrar todo o amor pela agremiação que representam. A programação oficial ​da Estação do Samba e dos Desfiles que acontecem na Afonso Pena ainda não foram anunciados pela Prefeitura, mas atualizaremos esse post assim que os detalhes forem divulgados. ​


​Fica a Dica! ​
​Vem pra BH e não conhece os blocos? 
Nesse link você confere uma lista com os 10 melhores!





E o vinavina deseja que o carnaval de todos 
seja repleto de amor e diversão! 

Vamos nos divertir com responsabilidade 
e segurança. A cidade é nossa!!