quinta-feira, 24 de julho de 2014

Liberdade para perder



Se passaram apenas 10 dias, mas parece que a Copa 2014 já acabou há meses... 

Na verdade, nesses últimos dias, a mídia impressa e eletrônica tem falado ainda muito sobre a nossa Seleção, sobre o vai e vem de jogadores, sobre os brasileiros que jogam na Ucrânia, sobre os legados e, também, sobre as lições e os prejuízos da “Copa das Copas”. Para além do futebol, com o Campeonato Brasileiro já em curso, é importante ainda refletir sobre o que significou, para nós, brasileiros, viver a experiência dessa Copa.

Escolhemos, para a nossa reflexão, as palavras de João Paulo Cunha - jornalista e editor de Cultura do jornal Estado de Minas -, publicadas no caderno Pensar, do último dia 12 de julho, sob o título de Liberdade para perder.

Separamos alguns trechos, mas vale a pena ler o texto na íntegra para que se possa, a partir dele, extrair não uma lição de palavras bem escritas, mas uma constatação sobre o que, de fato, para cada um de nós, é importante e vale a pena.



“Há muitas maneiras de encarar as derrotas. A mais sábia delas continua sendo a vertente estoica, escola filosófica grega que remonta ao século 3 a.C. E tem mais a ver com futebol – e com a política – do que parece à primeira vista.”

“Nós, homens modernos, acreditamos que todo defeito tem remédio. A técnica, herdeira da modernidade, parece desconhecer a liberdade humana: somos obrigados a exercer determinados comportamentos sob o crime de sermos considerados alienados. Para o estoico, a grande aliança deve se dar entre o homem e si mesmo e, em seguida, com a natureza. Exatamente por isso, foram os primeiros pensadores a propor uma natureza universal e uma unidade para o gênero humano.” 

“A maior herança da escola filosófica antiga não foi a fuga à ação, mas a defesa da ética como princípio de universalidade. A compreensão da liberdade que nos constitui nos obriga a expandir esse princípio para toda a sociedade. Os estoicos eram políticos até a raiz da alma e se preocupavam em educar os governantes.”


Toda derrota mobiliza emoções. A pior delas é o ressentimento. Ele ocorre quando as pessoas sentem que algo maior que elas tomou conta de sua liberdade e deixou o sujeito sem ação. Fica o discurso do coitado, do lamento desmobilizador, da caça aos culpados. (...) Na política, no futebol e até na vida pessoal. Nesses momentos de crise, a regra nunca é clara.

“O estoico nos ensinou muitas coisas com seu elogio da ataraxia, mas deixou portas abertas para a atitude no campo da moral e da educação do líder. Sobretudo na capacidade de mudar a ordem das coisas quando elas afrontam com a liberdade e a natureza. Por isso, perder, quando se é pior, é o melhor resultado possível. Não houve a tragédia que nos querem fazer engolir, apenas um péssimo resultado construído com muito esforço pela nossa cegueira voluntária. As tarefas agora estão dadas. Sabemos onde mancam nossas certezas e arrogâncias. Já é meio caminho andado.”



Belo Horizonte foi palco da triste derrota da Seleção brasileira para a Alemanha. Mas foi palco também de uma festa permanente e da alegria contagiante de todos os turistas que passaram pela cidade e, encantados com a recepção afetuosa dos mineiros, curtiram a cidade, levaram saudades, receitas de pão de queijo, muitas fotos, e prometeram voltar.


“Aqui, no inverno, o céu é azul!” 
Comentário de uma turista australiana, encantada com o céu de Belo Horizonte (MG).


terça-feira, 15 de julho de 2014

Copa das ruas


O Mundial da FIFA no Brasil chega ao fim com a Seleção da Alemanha campeã e com a nossa Seleção fora dos três primeiros lugares. A Copa deixou seu legado em vários aspectos: pessoas do mundo inteiro descobriram o Brasil, as torcidas e o futebol foram contagiantes, os estádios se encheram de alegria, de cores e de gols.



Porém, a Copa também deixou para trás uma triste história. O direito de comunicação e de livre expressão não triunfou, dando lugar a uma arbitrariedade violenta e ao autoritarismo que deixaram, infelizmente, a marca de incontáveis violações aos nossos direitos civis e humanos. Quem foi para as ruas, viu o seu direito de protestar ser abafado pela polícia abrupta e truculenta. Quem estava lá apenas para registrar e noticiar, também viu a sua liberdade se esvair em meio aos inúmeros casos de agressões a comunicadores sociais.

No período entre a Copa das Confederações e a Copa do Mundo – um ano – 190 casos de detenção e violência contra jornalistas foram registrados no Brasil, sendo que, no Mundial, 88% dessas ocorrências foram protagonizadas por policiais. Os dados alarmantes são da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

Filipe Peçanha, comunicador da Mídia Ninja – vítima de espancamento por oito PMs
e a lente da câmera quebrada.


Prisão preventiva no Rio de Janeiro 

A final da Copa do Mundo (realizada no último dia 13 de julho) trazia a promessa de protestos contra a realização do evento da Fifa no Brasil. Enquanto muitos brasileiros ainda sofriam com a derrota da Seleção, a Polícia Civil prendeu arbitrariamente 19 manifestantes (dois menores) com base em mandados de prisão temporária. A justificativa dessa operação - que fere direitos constitucionais - foi a de que era preciso prevenir ações que pudessem perturbar a ordem pública no dia da decisão da Copa do Mundo. Segundo a PM do Rio de Janeiro, junto com os manifestantes, foram apreendidas máscaras de gás, armas de fogo, explosivos e celulares. Os mandados de prisão foram expedidos pela 27ª Vara Criminal do Rio de Janeiro (capital). A ação não é inédita: na véspera da abertura da Copa do Mundo, dez ativistas foram presos e também tiveram celulares e computadores apreendidos pela polícia. Na época, ficaram detidos por 24 horas. 




Mais informações sobre os manifestantes que foram presos no Mídia NINJA.



Choque de criatividade 

Manifestantes respondem à violência policial com arte
Indo em direção contrária à estratégia da PM, os ativistas de Belo Horizonte (MG) promoveram, em junho, o ato "17J - Copa sem povo, tô na rua de novo". Depois de uma série de tentativas de se manifestarem pacificamente, cerca de 400 ativistas saíram às ruas levando as bandeiras pela Tarifa Zero em BH, a democratização dos meios de comunicação, a desmilitarização da PM, contra as remoções e contra a criminalizarão do protesto e dos movimentos sociais. Em ciranda, os manifestantes quebraram o cerco da PM e desceram caminhando em direção à Praça da Liberdade. Ninguém foi detido.



Intervenções artísticas, Copeladas e ações culturais
Muitas outras apresentações artísticas foram realizadas na capital mineira, a fim de combater, com criatividade, a violência da polícia. Esse novo formato artístico do protesto teve como objetivo abrir e ampliar o diálogo entre os manifestantes, a população e a própria polícia. As intervenções lúdicas foram apresentadas de frente para o Batalhão de Choque, mostrando aos militares os motivos de suas reivindicações, que abordaram principalmente o turismo sexual, a violação de direitos, a violência policial e outros prejuízos trazidos pelo Mundial. 



Dentre diversos acontecimentos, se destacaram o teatro na Praça da Savassi; a manifestação pacífica no Centro da cidade; a Copelada, na qual os manifestantes pararam o trânsito na Av. Afonso Pena para jogar futebol no meio da avenida; a Praça da Estação que virou campo de futebol amador, com direito ao feijão tropeiro dos barraqueiros do Mineirão, juiz palhaço e torcida na geral; a exposição “Cartografias do Comum”, cuja abordagem é a potência transformadora das ações desenvolvidas por grupos culturais e sociais em Belo Horizonte.


Pelo Brasil afora...

Outras manifestações de criatividade e cultura aconteceram também no Rio de Janeiro. O ato "Copa na Rua", com caráter de manifesto festivo, reuniu centenas de ativistas em concentração na praça Afonso Pena, no domingo, dia 13 de julho. 


E, para encerrar a Copa do Mundo no Brasil, um grupo de ativistas estendeu na Praia de Botafogo um bandeirão de 300m² denunciando a FIFA e o impacto do evento. A frase #SayNoToFIFA (diga não à FIFA) pede que todos os brasileiros e todo o mundo não se sujeitem mais às ingerências aos abusos da maior coorporação de futebol mundial.








quinta-feira, 3 de julho de 2014

O ir e vir na Copa

As expectativas


No início do mês de junho, quando ainda faltavam poucos dias para o início da Copa do Mundo no Brasil, a expectativa não era otimista em relação às obras de mobilidade urbana realizadas nas cidades-sede. 

A situação era caótica, com números que nos deixaram apreensivos: apenas 51,7% das obras foram entregues. Dos 45 projetos inaugurados, 15 estavam incompletos por causa de atrasos e cancelamentos.

Das 74 obras de mobilidade e das 13 em aeroportos, 32 foram descartadas para a Copa e devem ficar prontas somente depois da competição. Fonte: G1



A realidade

Felizmente, as nossas expectativas quanto às obras de mobilidade foram superadas durante a ocorrência da Copa. O que se viu até agora foi um saldo positivo no deslocamento dos torcedores até os estádios, com elogios e incentivos ao uso do transporte público nas cidades-sede da Copa. 

Torcedores no BRT/Move em BH. 

Em Belo Horizonte (MG) o BRT/Move, opção de transporte para os torcedores que vão ao Mineirão, recebeu elogios de brasileiros e chilenos no último sábado (28/06), quando a capital mineira recebeu a partida entre as duas seleções pelas oitavas de final da Copa do Mundo. 

Curitiba (PR), que encerrou sua participação na Copa do Mundo na última quinta-feira (28/06), recebeu, em quatro jogos, um público total 157.011 torcedores no estádio. Para a Copa, a frota de táxis da capital paranaense foi ampliada pela primeira vez em 40 anos. No total, serão 750 novas autorizações, sendo que 640 veículos já estão habilitados. A cidade conta agora com cerca de 3 mil táxis.

Nos jogos realizados em Fortaleza (CE) até o momento, o público elogiou o sistema de transporte até a Arena Castelão. “Não temos do que reclamar. Está rápido e seguro. Os ônibus estão partindo a cada cinco minutos”, relatou o professor Eduardo Costa, que foi com os dois filhos acompanhar a partida entre Uruguai e Costa Rica. Pelo menos 85 mil pessoas utilizaram o sistema de transporte público municipal para ir ao Castelão, em Fortaleza, nas duas primeiras rodadas da Copa do Mundo.



Passado o jogo entre Costa Rica e Grécia, no domingo (29/06), a Copa do Mundo acabou para a Arena Pernambuco, em Recife, mas deixou legados. Um deles foi a valorização do transporte público, que teve o BRT como grande novidade para a população. No primeiro jogo, apenas 5% dos torcedores optaram pelo BRT, enquanto na última partida, o número saltou para 19%. O transporte público bateu recorde, sendo responsável por transportar 71% dos 41.242 torcedores presentes ao estádio.


E depois da Copa? 

Ao fim do mundial teremos a chance de avaliar se o transporte público foi eficaz conforme o esperado. Acreditamos que sim, porém sabemos o quanto o setor de transportes públicos pode ser potencializado com a parceria atual da iniciativa privada. Ainda terá que ser analisado, também, o transporte no dia a dia, da casa para o trabalho, do trabalho para a faculdade, nos horários de pico e no funcionamento normal das cidades. 

Ainda assim, mesmo que metade dos projetos de mobilidade para a Copa tenha ficado apenas no papel, ou atendido somente aos entornos dos estádios, não nos faltará a oportunidade de cobrar pela concretização de todos eles. Esses projetos serão bastante úteis à população, especialmente no setor de transportes públicos.



Enquanto a Copa não acaba e esses projetos não ficam prontos, sempre podemos fazer a nossa parte. A mobilidade não depende apenas de investimentos do poder público, mas também de práticas de toda a comunidade, diariamente. Gestos simples, como ceder a vez no trânsito, permitir a passagem dos pedestres e não estacionar em áreas proibidas, acabam contribuindo com todo o sistema, que envolve sinalização, estruturação de vias e demarcação de espaços.


Amanhã o Brasil disputa as quartas de final! Vamos correr atrás da da bola e deixar o caminho livre para o gol!


Viva a nossa seleção! 

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Tem Copa! E tem muito lixo também!


A Copa de 2014 vem construindo seu legado singular com jogos lindos, torcedores apaixonados, resultados inesperados e muito hino cantado à capela. Além das partidas, um comportamento especial vem chamando a atenção após os jogos do Japão: a limpeza dos estádios. Os japoneses que foram à Arena Pernambuco para assistir à partida de estreia do Japão contra a Costa do Marfim fizeram questão de deixar as arquibancadas do estádio livres de lixo após a partida

Dias após essa notícia ter circulado amplamente na mídia, surge outra boa nova: na Fifa Fun Fest (realizada no dia 16 de junho), em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro, um grupo de turistas alemães recolhia não apenas seus copos plásticos, mas, também, os de outros frequentadores do espaço e encorajavam a retirada dos objetos que já haviam sido jogados no chão.


E como atitudes inteligentes se tornam modelos permanentes, o que se viu após o show de civilidade dos japoneses foi a torcida brasileira aderindo à faxina, ajudando a torcida nipônica a limpar a arquibancada na Arena das Dunas, no dia 19 de junho, no empate sem gols entre Japão e Grécia, em Natal (RN).

Que o exemplo e a atitude dos japoneses permaneçam entre nós após a Copa, em nossas casas, ruas, bairros e cidades, no lixo nosso de cada dia. 


Vai ter reciclagem? 

A reciclagem de resíduos está prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída em 2010, que cria normas para a coleta, o destino final e o tratamento de lixo urbano e industrial, entre outros. Apesar disso, uma pesquisa realizada pela BBC Brasil mostrou que as cidades brasileiras não estão preparadas para a separação e destinação correta dos resíduos. A cidade que obteve os melhores resultados nos índices de reciclagem foi Porto Alegre, com 9,1% do lixo produzido tendo o correto destino, seguida de Belo Horizonte, com 7%, Curitiba, com 6%, Brasília, com 5%, Salvador e São Paulo, com 2,1%, Recife, com2% e o Rio de Janeiro, com 1,7%. As outras quatro cidades-sede dos jogos do mundial, Fortaleza, Manaus, Natal e Cuiabá, não tiveram nem 1% do seu lixo reciclado.

De acordo com o Portal Brasil, todo o lixo sólido produzido durante a Copa do Mundo 2014 dentro dos 12 estádios que estão recebendo os jogos da competição será coletado e encaminhado à reciclagem em cooperativas. Estima-se que sejam produzidas cinco toneladas de resíduos passíveis de reciclagem a cada partida da Copa do Mundo, resultando em quase 320 toneladas no final dos 64 jogos. Ao todo, serão 840 catadores capacitados para tal tarefa. 



Segundo o coordenador do Movimento Nacional de Catadores no DF, Ronei Alves, a valorização desse trabalho durante a Copa do Mundo terá impactos positivos na conscientização dos cidadãos.

“O catador sempre trabalhou de forma invisível. Poder atuar em um evento que será visto em todo o planeta é uma oportunidade de mostrar que temos uma função ambiental importante. Estamos vivendo um momento em que o cidadão precisa se responsabilizar pelo lixo que produz. Com essa ação, a população terá consciência, ao consumir a comida e a bebida, de que esse material precisa ter um descarte e uma destinação corretos”, disse.



Ainda falta educação 

A região da Savassi, em Belo Horizonte (MG), está sendo “invadida” por turistas estrangeiros e torcedores brasileiros durante esta Copa do Mundo. Colombianos, belgas, gregos, argelinos, chilenos, argentinos, belo-horizontinos se reúnem e fazem a festa no local que virou ponto de encontro. Mas nem tudo é animação. Após as comemorações, a região tem sido tomada por lixo acumulado, latas e garrafas de bebidas, restos de isopor, mesas de plástico quebradas, sem contar os canteiros de flores destruídos e, claro, um fedor insuportável de urina nas ruas. A falta de educação dos frequentadores, a precária coleta de lixo e a escassez de banheiros públicos são apontadas como as principais responsáveis pelo cenário lamentável.

Dia seguinte após festa na Savassi, em Belo Horizonte (MG). 

De acordo com a Superintendência de Limpeza Urbana (SLU), desde o dia 12 de junho, data em que se iniciou o evento mundial, cerca de 55 mil pessoas passam, diariamente, pela praça Diogo Vasconcellos, conhecida como Praça da Savassi. O mais assustador é que, desde o início da Copa, 7 toneladas de lixo já foram recolhidas por dia na região! Isso representa 14 vezes mais lixo em relação à coleta rotineira, que é de meia tonelada. Fonte: Bhaz

Em São Paulo, o problema é o mesmo. Milhares de pessoas compareceram aos bares da Vila Madalena, na zona oeste da capital, para assistir à partida da Argentina contra a Bósnia-Herzegovina, no domingo (dia 15). Mesmo com lixeiras nas calçadas, o público jogou garrafas de cerveja e copos plásticos na rua. 

Lixo acumulado na Vila Madalena (SP). 

Somos todos Catadores

Com a ajuda da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) e dos mais de 5 mil táxis que circulam em Belo Horizonte (MG) durante a Copa, a SLU – em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e a Cooperativa dos Trabalhadores com Materiais Recicláveis da Pampulha Ltda (Coomarp Pampulha) – vem dando suporte a 90 catadores de materiais recicláveis, que atuam no entorno do Mineirão, nos dias de jogos, e no Expominas, em cada sessão da Fifa Fan Fest. Os responsáveis pelas ações de mobilização, os catadores e os técnicos da SLU trabalham com identificação exclusiva, utilizando coletes personalizados da campanha.

Com o lema “Somos todos catadores”, foram distribuídas, nos mais de 300 hotéis da capital e Região Metropolitana, 55 mil peças com mensagens incentivando a coleta seletiva e divulgando o trabalho dos catadores. Na mesma linha de divulgação, 500 dispositivos informativos foram produzidos para serem exibidos nos balcões de recepção dos hotéis.

As peças da campanha contam com a imagem dos catadores de materiais recicláveis Wallissom Bruno Silva Souza, Débora Cristina Pinto Pereira e Celso Martinele Alves Júnior.

De acordo com o superintendente da SLU, Sidnei Bispo, as associações e cooperativas de catadores de materiais recicláveis têm papel fundamental nos programas de coleta seletiva. “Trata-se de um instrumento de desenvolvimento humano, já que esses trabalhadores realizam suas atividades com a finalidade de conseguir renda ajudando-se mutuamente”, conclui.

Trabalhando ao lado do Mineirão, a catadora Maria Sueli dos Santos, de 54 anos, defende a realização do Mundial no país e mostra seus argumentos:





E o Brasil está nas oitavas de final! 

Vamos curtir o jogo e torcer para a nossa seleção com dignidade, cidadania e respeito! 

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Os valores da Copa 2014





Quando se realiza uma Copa do mundo de futebol muitos são os valores em jogo. Além das oportunidades de negócios que se abrem para muitos (ou para alguns), uma Copa promove mudanças de várias naturezas nos países em que ela é realizada. No Brasil, a ‘Copa da Fifa’ impôs ao povo brasileiro uma série de mudanças estruturais, tanto no âmbito econômico quanto no social. A demanda por investimentos de várias naturezas movimentou a economia nacional, criando oportunidades em áreas diversas como a da construção civil, do turismo, do comércio, dos transportes urbanos, entre outros. Mas junto com as oportunidades, a Copa da Fifa trouxe também novos conceitos e padrões de comportamento que, impostos por uma “Lei da Copa”, assinada pelo Governo Federal, bateram de frente com o nosso “jeitinho brasileiro”, com a torcida da ‘geral’, e vêm ferindo, sem cerimônia, a nossa paixão pelo futebol e a nossa identidade cultural.



Mudanças no padrão local, regional e nacional

O Itaquerão, novíssimo estádio de São Paulo (SP), estava todo verde e amarelo na festa de abertura da Copa 2014. Mas o que vimos ontem, além do jogo e de uma cerimônia de abertura muito sem graça, foi a confirmação de uma nova e triste realidade: a elitização do futebol. Desde as reformas ou construções de estádios - em um padrão europeu, que veio alterar a relação das torcidas brasileiras com os espaços dos campos – quanto o valor dos ingressos e dos preços dos alimentos praticados durante os jogos, o que temos visto, mesmo antes da Copa, é a promoção gradativa de uma elitização nos campos de futebol. Acontece que não estamos na Europa, o salário mínimo brasileiro continua mínimo e o povão vai se conformando em assistir aos jogos dos seus times – e agora, aos da nossa Seleção – fora dos estádios, em televisores de tela plana ou em telões. Foram montar torcidas alternativas, junto aos vendedores ambulantes, que também foram expulsos do entorno dos estádios e só podem, agora, vender seus churrasquinhos e cervejas no isopor a 2 km de distância dos estádios. Nos estádios, só entram os produtos dos patrocinadores e quem pode pagar pelos preços exorbitantes dos produtos oferecidos. Inclusive pela cerveja! Proibida antes e agora liberada durante a Copa...

Confira aqui a tabela liberada pela Fifa,  para o que está sendo oferecido dentro dos estádios. Desde quando foi divulgada, assustou e gerou polêmica entre os brasileiros: os valores estão mais "salgados" com relação aos cobrados na Copa das Confederações do ano passado. Os produtos variam de R$ 15 a R$ 5.

Preços nos bares desagradaram aos torcedores na Arena Corinthians (Foto: Marcelo Prado)

No campo das oportunidades

Mas não só preços abusivos essa Copa nos traz. Para os que se prepararam, que buscaram qualificação, muitas foram e são as oportunidades que se abriram nesta Copa. 

Os pequenos e médios comerciantes se preparam para uma boa margem de lucro e o comércio a varejo já está preparado, com suas vitrines estampando camisetas, perucas, óculos, máscaras e uma série de variedades em verde e amarelo. Ambulantes e feirantes também investiram em badulaques e peças artesanais com a temática da Copa. Saiba mais nos links a seguir:

O setor de hotelaria também aguarda bons frutos do mundial no Brasil. Com o grande volume de turistas, até os motéis estão preparados para receber e acomodar. “Devido às altas taxas de hospedagem e à grande procura nos hotéis do Brasil, que hoje têm pouco espaço disponível, vimos nos quartos de motéis uma alternativa viável para aqueles que desejam se hospedar. Além disso, os motéis selecionados dispõem de infraestrutura ímpar para atender aos turistas e brasileiros”, explica o proprietário do Guia de Motéis, Rodolfo Elsas. Saiba mais aqui.

Para os setores de entretenimento e alimentação, a situação também é favorável. Muitos bares e restaurantes oferecem programação especial para a transmissão dos jogos e se preparam para a grande repercussão na mídia de seus estabelecimentos. 




Identidade cultural

O “padrão Fifa” até tentou, mas não conseguiu impedir que o acarajé, a tapioca e o tropeirão do Mineirão fossem excluídos dos cardápios dos estádios de Salvador (BA), Recife (PE) e Belo Horizonte (MG), respectivamente. Movimentos populares protestaram e forçaram, com manifestações e abaixo assinados nas redes sociais, a garantia a inclusão das comidas típicas nos cardápios oficiais. Não foi uma vitória completa, pois nem todos os pratos serão produzidos pelos cozinheiras e cozinheiros tradicionais e as Baianas do acarajé foram obrigadas a adotar algumas mudanças na indumentária e no preparo dos bolinhos. Sem falar nos preços abusivos para todos os produtos. Além do mais, os barraqueiros do Mineirão permanecem na luta para voltar a vender o tropeirão no entorno do Mineirão. Mesmo assim, foi importante mostrar para a Fifa que o povo brasileiro não abre mão das suas tradições e que “não engole qualquer cheeseburguer” na própria casa.

Confiram aqui e aqui algumas matérias sobre as reações populares contra as imposições dos cardápios da Fifa. 

Movimento "Libere as Baianas". 

As mulheres do movimento "Tapioca na Copa"

O famoso tropeirão do Mineirão. 


Copa da Fifa 2014 começou ontem, dia 12 de junho. O Brasil ganhou o primeiro jogo! 
Salve a nossa Seleção! 



quarta-feira, 4 de junho de 2014

No ritmo da Copa





A Copa da FIFA 2014 começa, oficialmente, no próximo dia 12 de junho. Até o dia 13 de julho o Brasil estará no centro das atenções do mundo inteiro. O desafio é grande! Os problemas são variados, sérios e numerosos e exigem uma logística nunca vista em Mundial de futebol antes. São muitas as questões e pendências em torno dos prazos vencidos, da segurança de torcedores, seleções, chefes de estado, celebridades, da infraestrutura necessária em cada uma das 12 cidades-sede e, principalmente, da competência dos brasileiros para encarar um evento tão grandioso. 

Ainda tem muita gente gritando: - Não vai ter Copa! Mas, apesar dos abusos da FIFA, dos processos questionáveis na realização de obras e mudanças em todas as cidades que receberão os jogos, da promessa de protestos e greves, a verdade é que agora é tarde para impedir que a Copa aconteça. Vai ter Copa, sim! E tudo indica que não vai ser fácil para nenhum de nós. Estamos todos na expectativa. Os visitantes, apaixonados por futebol como os brasileiros, estão chegando! Muitas são as lições que podemos tirar dessa experiência que envolve 32 seleções de várias partes do mundo e, claro, milhares de torcedores que acompanharão ao vivo e em muitas cores as emoções dessa Copa do Mundo de Futebol. Queremos acompanhar toda essa jornada e, dentro do possível, colaborar para que a COPA de 2014 não seja uma oportunidade perdida. 

Assim, a partir deste post, vamos publicar aqui no vinavina, durante a realização da Copa, notícias, dicas, polêmicas, críticas e reflexões sobre as questões oficiais e paralelas que vão mobilizar milhares de pessoas, entre turistas, jogadores, artistas, oportunistas, ativistas e torcedores do mundo todo e em todo o Brasil. A despeito de tudo o que vem acontecendo, o Brasil é um país apaixonado por futebol! Na hora que a bola rolar em campo, vai ser muito difícil não acompanhar cada lance e vai ser difícil deixar de comemorar – nem que seja com um sorriso discreto - cada gol marcado por nossa Seleção.


As Copas: 1950 - 2014 



Existem pontos em comum entre a realidade brasileira na Copa de 1950 e na Copa de 2014. O País mudou, cresceu, avançou em muitos aspectos. Mas, por incrível que pareça, ao comparar as duas épocas e as condições em que o Brasil se encontra agora, as semelhanças existem.

Clique na imagem para ampliar. 

“Mesmo com todos os problemas, atrasos e improvisos, a Copa de 1950 no Brasil foi um sucesso, apesar do fim trágico naquele 16 de julho. [...] “O Maracanaço mudou a história da seleção, que, inclusive, passou a jogar de amarelo a partir de 1954. O Brasil aprendeu com a derrota. O respeito ao adversário que faltou contra o Uruguai em 1950 sobrou diante da Suécia em 1958”.A expectativa agora é de que o Brasil não precise de mais uma derrota em campo para aprender com os erros que cometeu fora dele”.

Veja aqui, na íntegra, a matéria intitulada Padrão Brasil, publicada na revista ISTOÉ, edição de 30 de maio, que aponta com detalhes essa comparação entre 1950 e 2014.

Mas tem um detalhe importante: que as semelhanças parem por aí! Estamos em 2014 e não queremos perder para time nenhum na final. Se a nossa Seleção chegar à final desta Copa, vai ter que ser pra vencer!



A regra é clara: gentileza gera gentileza. 



Nós acreditamos nisso. Na realidade desta Copa, que acontece agora no Brasil, acreditamos que será melhor para todos, brasileiros e estrangeiros, que o tratamento mútuo seja de cordialidade e respeito. A casa é nossa. Cabe a nós, brasileiros, dar o exemplo, demarcar os limites e, apesar da FIFA, de todas as obras inacabadas e de nossa constatada desorganização, saber abrir a porta da casa com a alegria de poder compartilhar uma paixão que move, neste momento, o mundo inteiro: o futebol.


Bem-vindos ao Brasil! 
Bem-vindos ao País do Futebol!



Para quem gosta de futebol

Para quem gosta de futebol e cultura 

Para lembrar

Para refletir




sexta-feira, 23 de maio de 2014

Mexa-se >> conversa sobre mobilidade




Conversa boa mobiliza pessoas, agita ideias e aponta possibilidades para ações cada vez mais coletivas


Diante da pergunta colocada - O que podemos fazer para melhorar a condição de mobilidade na cidade? - um grupo de 20 pessoas atendeu ao convite da Vina para comentar, avaliar e discutir questões e iniciativas que estão na ordem do dia em Belo Horizonte e em todas as cidades que enfrentam as dificuldades e buscam soluções para a mobilidade urbana.

O que aconteceu, na verdade, não foi um debate, foi um encontro de pessoas e de movimentos afins em que cada um falou da sua experiência individual ou coletiva e que só não continuou noite adentro porque não era dia de casa aberta no Reciclo 2. 

Conforme foi planejado, já que queríamos que mais pessoas pudessem participar, conseguimos – graças à boa vontade, disposição e simpatia do Thiago Souza – transmitir em tempo real a nossa conversa pelo site do BH em Ciclo.


Clique nas fotos para ampliar. 

Aqui neste post, queremos agradecer e registrar as presenças – todas ilustres – e compartilhar os pontos principais abordados por cada participante. Éramos 20 pessoas reunidas em torno de uma mesa para falar sobre andar a pé nas nossas precárias calçadas, andar de bicicleta, de moto, de ônibus, de carro, de MOVE, enfim, sobre as várias formas de transitar por uma cidade como Belo Horizonte, na qual a mobilidade é há muito tempo uma questão pra lá de complexa e delicada.

Renato Malta, diretor da Vina, fez a abertura do encontro, apresentando a empresa e a proposta do Departamento Socioambiental. Com ele, e representando toda a equipe da Vina, participaram também - e contribuíram muito com suas experiências -, os seguintes profissionais: Aldair Rodrigues (moto frentista); Diego Luís Pereira (usuário de ônibus); Elson Matoso (usuário de carro); Evandro Silva de Souza (que circula a pé); Flávio da Silva Oliveira (que usa a bicicleta como meio de transporte diário) e Keyty Andrade (estagiária do Departamento Socioambiental e usuária de ônibus e metrô). Juliana Foini (responsável pelo blog vinavina e pelo registro fotográfico do encontro) apresentou o blog e a proposta desta série de postagens sobre mobilidade urbana, que motivou a organização daquela reunião. Eu, Élida Murta, ativista do Movimento Fica Ficus e colaboradora permanente dos projetos socioambientais da Vina, participei como mediadora do encontro.


 Equipe Vina - clique nas fotos para ampliar.

Pedimos a todos os convidados que se apresentassem e que falassem de suas experiências e propostas. Assim, deram sua valiosa contribuição: Marcelo Cintra – especialista no assunto mobilidade urbana; Carlos Campos, representando o movimento Bike Anjo; Guilherme Tampieri, representando a BH em Ciclo – Associação dos Ciclistas Urbanos de Belo Horizonte; Vanessa Duarte, representando o Nossa BH – Movimento social por uma cidade mais justa, democrática e sustentável; e Marina Costa Val, representando o movimento Tarifa Zero, que vem defendendo a redução das tarifas e a qualidade no transporte público. Participaram também: Mayra Milena (Tarifa Zero), Poliana Figueiredo e Vinícius Mundim (BH em Ciclo), Renata Aiala (Bike Anjo e BH em Ciclo), Tays Canji (Tarifa Zero), Gláucia Barros (Nossa BH e Avina) e Jean Legroux, pesquisador francês e doutorando em Mobilidade Urbana.



 Clique nas fotos para ampliar.

Vários problemas foram colocados na mesa, mas num ponto todos concordavam: as cidades existem em função do automóvel. E, diante da caótica realidade atual, é preciso mudar urgentemente a relação da cidade com o carro. Entre inúmeras urgências e providências apontadas, destacamos: reduzir o número de carros circulando na cidade; promover e apoiar o desenvolvimento de políticas públicas que favoreçam outros meios de circulação individual e coletiva; promover de forma crescente a bicicleta como meio de transporte urbano; buscar soluções viáveis e eficazes para o transporte público (ônibus e metrô), apoiar e participar dos movimentos sociais que, questionando governos e empresas, buscam soluções justas e democráticas para os problemas de mobilidade enfrentados por todos. Como bem disse Marcelo Cintra, não podemos mais ficar esperando uma “vontade política” para a solução dos problemas de mobilidade. A vontade tem que ser coletiva, tem que partir de nossa ação e mobilização o encaminhamento de problemas e soluções. 

É preciso pensar a cidade como um todo, é preciso aproveitar as boas ideias que vêm dando resultados positivos e garantir, pela vontade coletiva ampla, que as decisões políticas e as leis orçamentárias garantam o compromisso com as transformações necessárias.

Participantes do debate.  

Assim, a partir desse encontro, que para todos nós foi muito proveitoso, queremos dar sequência a essa conversa. Queremos acompanhar os avanços que, neste exato momento, colocam em cheque – com greves e mobilizações de várias naturezas - a condução política e econômica dos problemas brasileiros de mobilidade nas cidades. 

Para você, que não pôde acompanhar o nosso encontro mas que está interessado em participar com suas ideias e boas práticas, aí estão os links para conferir, na íntegra, tudo o que compartilhamos na tarde do dia 14 de maio. As fotos podem ser vistas aqui. 


Para conferir as outras postagens sobre mobilidade urbana aqui do vinavina, seguem os links abaixo. 






Seja a pé, de bike, de moto, de carro, de ônibus, de metrô e até de MOVE, vamos em frente! 
Parados é que não vamos ficar.