quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

É tempo de férias...

Janeiro, para muita gente, é sinônimo de férias e descanso. É tempo de relaxar, de se renovar e de aproveitar os dias livres! Pra você, que está pensando em viajar, e pra você, que planeja ficar em casa, o vinavina reuniu uma série de dicas para ajudá-lo a curtir todos os momentos, com muita tranquilidade e sem stress, independentemente do destino!


Escolhendo o destino...
Você já ouviu falar sobre ecoturismo? Também conhecido como turismo ecológico, o ecoturismo é o "segmento da atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista por meio da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações". A definição acima é dada pelo Ministério do Meio Ambiente em conjunto com o EMBRATUR – Instituto Brasileiro de Turismo

Esse ramo do turismo é caracterizado pelo contato com ambientes naturais, pela realização de atividades que promovam a vivência e o conhecimento da natureza e pela proteção das áreas onde ocorre. Aqui no blog já fizemos uma postagem especial sobre esse assunto. Quer relembrar? É só clicar aqui


Para ajudar você na escolha de um destino, clique aqui e confira várias opções de roteiros sustentáveis por todo o País. Mas, independentemente do lugar que você escolher, todo viajante pode e deve se informar e se prevenir!

Nas estradas 
Nos links a seguir, conheça as melhores rotas, distâncias e condições das rodovias federais. Tudo o que você precisa para chegar ao seu destino com tranquilidade e segurança. 

Nos ares 
Nos links a seguir você vai encontrar informações e notícias sobre aeroportos e viagens de avião no Brasil e no mundo. 



Não vai viajar? 
Que tal ser turista na própria cidade, sem ter que viajar? Quando preparamos uma viagem especial de férias, é comum pesquisarmos as atrações locais que o nosso destino oferece. Vamos fazer o mesmo em nossa cidade, ela tem muita coisa boa para oferecer! 

Belo Horizonte (MG) possui diversas opções de passeios e programas culturais, muitos deles gratuitos. Listamos aqui alguns sites que podem te ajudar na hora de escolher o programa nas férias, sem gastar muito e sem ter que ir muito longe. 




Curtindo as férias em casa com a criançada!
Quem tem crianças em casa e não vai viajar, não pode deixar de conferir toda a programação infantil de férias para Belo Horizonte! Colônias de férias, filmes e parques... clique aqui para saber mais. 



Mas se a chuva apertar e o passeio for cancelado, nada de deixar os pequenos passarem o dia inteiro em frente à TV! Separamos algumas ideias de livros e brincadeiras, que você pode fazer sem gastar muito e usando a criatividade!



Clique nas imagens para ampliar. 



Utilidade pública: doe sangue nas férias! 
Você sabia da importância de doar sangue antes de sair de férias? No final do ano, as pessoas costumam viajar, participar de festas e acontece sempre uma certa desmobilização na doação de sangue. É importante que o doador se lembre de que o atendimento nos hospitais não para e que ele pode programar sua doação antes de sair de férias, para suprir os estoques dos bancos de sangue. Com as férias também ocorre o aumento do fluxo de veículos nas estradas e, em consequência, aumenta também o número de acidentes, alguns graves, com vítimas que precisam de transfusão sanguínea. 

Uma simples doação pode ajudar várias pessoas. 
Uma bolsa de sangue pode ser dividida em até quatro componentes, que podem ir para quatro pessoas diferentes. A doação é 100% voluntária e beneficia qualquer pessoa, independentemente de parentesco. 

Endereços dos Hemocentros
Clique aqui e baixe a lista completa de todos os hemocentros nas capitais do Brasil.

Doar sangue é um ato simples, tranquilo 
e seguro que não provoca risco ou prejuízo à saúde.




E como ninguém é de ferro, o 
vinavina também entra de férias!
Voltamos em fevereiro!


Boas férias e
Feliz Ano Novo!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Natal com reutilização

O fim de ano vem chegando e dá início ao consumo desenfreado devido ao Natal. São sacolas repletas de presentes, lembrancinhas e filas intermináveis para as compras que vão desde à ceia de Natal à decoração da casa. Por isso, mais do que nunca, é tempo de praticar o consumo consciente. O bolso e a natureza agradecem!

Para começar, o vinavina reuniu boas ideias para te inspirar na decoração de Natal com objetos reutilizados. E uma forma bem simples para começar é praticar a reutilização dos materiais que utilizamos em nosso dia a dia, como garrafas PET, frascos e vidros vazios, papelão, copos descartáveis e muito mais. Estes e outros materiais podem ser combinados com tecido, massa de biscuit, feltro e barbante para produzir belos enfeites, que além de serem ótimos para a sua própria decoração natalina, também poderão ser vendidos, gerando uma renda extra! 


Boneco de Natal com copinhos plásticos



Árvore de Natal com revistas antigas



Garrafas! Essas com certeza você já tem em casa, só falta usar a criatividade! Luzinhas, spray de tinta ou retalhos dão um toque especial. Também vale reaproveitar aquela toalha de mesa natalina que ficou manchada ou velha demais para ir para a mesa.





Revistas e jornais antigos: esqueça o papel de presente e se inspire com essas ideias para embalagens de presentes e laços. São criativas, únicas e especiais. 





Sabe os rolinhos de papelão que sempre vão para o lixo depois que o papel higiênico acaba? Não precisa mais jogar no lixo! Com criatividade eles podem se transformar em lindas decorações natalinas. 

 




Latas também podem se transformar em pequenos pontos de luz para a sua casa durante a ceia de Natal. Você vai precisar de retalhos de tecido, um cabide antigo, prendedores de roupa e velas! 



E que tal reutilizar aqueles CDs antigos que estão arranhados? Temos certeza que essa bolinha diferente e super criativa vai fazer muito sucesso na sua árvore de Natal!


Palitinhos de picolé também podem fazer parte da sua decoração! Basta escolher o tema e enfeitá-los da forma que preferir. Depois é só pendurar na árvore! 






O Natal é uma época de renovação e 
esperança, perfeita para praticarmos a sustentabilidade!


quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Desembrulhe com carinho

O que combina com Natal? Família reunida, ceia farta, luzinhas piscando, carinho, presentes, alegria! E o que combina com o dia seguinte? A alegria, a curtição dos presentes e, geralmente, muuuito papel rasgado da noite anterior. 

O que fazer com tanto papel de presente no dia seguinte ao Natal? 
Jogar no lixo? De jeito nenhum!



Que tal fazermos diferente este ano?
Desembrulhe o seu presente com o 
mesmo carinho com que você o recebe! 

Em 2010, criamos a campanha "Desembrulhe com Carinho", que tem como objetivo principal amenizar a quantidade de lixo gerado pelas embalagens de presente no Natal, incentivando o consumo consciente e a reutilização de materiais! 

Neste Natal, contamos com a sua colaboração para que essa campanha continue gerando bons frutos. Desembrulhe seu presente com o mesmo cuidado e carinho com que você o recebe. Sabe por quê? Esse material (papéis, caixas e fitas) pode gerar trabalho e renda ao ser transformado em outros novos e lindos objetos, que serão novos presentes... Você pode descartar as embalagens na coleta seletiva ou pode doar para grupos de inclusão produtiva.


Participe dessa rede!
O Departamento Socioambiental da Vina está aberto para receber as embalagens que você guardar! É só entrar em contato com a gente para combinar a entrega:

Tel.: 3479-8181 / 99591-5516
E-mail: vinasocial@gmail.com
A gente também está no Facebook, no Twitter e no Instagram
Ou você também pode deixar o seu comentário aqui no blog!


Embrulho >>> desembrulho >>> 
reaproveito >>> reciclo



Feliz Natal!

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Vi na Vina: 5 anos!


A sede da Vina está inserida em uma região do Cerrado mineiro, ocupando uma área de quase 12 mil m². Há mais de sete anos a Vina vem trabalhando para preservar, recuperar e manter uma área significativa do seu ambiente natural, que já passou por muitas etapas e já enfrentou vários tipos de agressões. 

Para comemorar os 5 anos de existência deste blog, queremos que vocês conheçam um pouco da história de resistência da nossa área de preservação do Cerrado.



VINA + CERRADO 
A pródiga capacidade de recuperação da natureza 

O bioma Cerrado cobre aproximadamente 22% do território nacional, figurando como segundo maior bioma brasileiro. A fauna e flora do Cerrado são extremamente ricas, e a sua vegetação nativa, em graus variados de conservação, ainda cobre 60,42% do bioma no Brasil. 

Os ambientes do Cerrado variam significativamente no sentido horizontal, sendo que áreas campestres, florestais e brejosas podem existir em uma mesma região. Essa enorme biodiversidade qualifica o Cerrado como a savana mais rica do mundo.

Visão da copa das árvores da área de preservação da Vina.

Além dos aspectos ambientais, o Cerrado tem grande importância social. São inúmeras as populações humanas que tiram dele a sobrevivência e conhecem parte de sua inestimada variedade. Mais de 10 tipos de frutos comestíveis são regularmente consumidos pelas populações locais e também são vendidos nos centros urbanos, tais como: Pequi (Caryocar brasiliense), Buriti (Mauritia flexuosa), Mangaba (Hancornia speciosa), Cagaita (Eugenia dysenterica), Bacupari (Salacia crassifolia), Cajuzinho do cerrado (Anacardium humile), Araticum (Annona crassifolia) e as sementes do Barú (Dipteryx alata).

Em Minas Gerais não é diferente, cerca de 60% da área do estado pertencem ao bioma do Cerrado, sendo o estado brasileiro que tem o maior número de municípios incluídos nele. Mas, desse total, apenas 8,1% estão legalmente protegidos.

Apesar do reconhecimento de sua importância biológica, o empobrecimento ecológico do bioma no estado só vem aumentando. Sua paisagem se transformou com a ocupação intensa do homem pela agricultura e pela pecuária, entre outras atividades econômicas. As áreas remanescentes do cerrado nativo representam hoje um percentual mínimo deste ecossistema em Minas.

Embora os avanços de debates sobre a importância da sua conservação e de movimentos pelo Cerrado sejam perceptíveis, há um longo caminho a percorrer. É essencial a conscientização de uma grande parcela da população e uma firme atitude a ser tomada pela implantação de políticas públicas voltadas para a conservação e o uso sustentável desse bioma.

Guamirim (Myrcia guianense) e Cajuí ou cajuzinho do cerrado (Anacardium humile)


A empresa Vina é uma empresa que atua no setor de gestão de resíduos sólidos vem, desde 2008, pela ação do seu Departamento Socioambiental, desenvolvendo um projeto multidisciplinar que visa à conscientização e incorporação dos valores socioambientais na empresa e na sociedade.
Em 2008 a Vina constituiu um levantamento florístico para catalogação das espécies vegetais e ainda uma caracterização e avaliação do terreno em que construiria a sua nova sede. A equipe de biólogos contratada se surpreendeu com a biodiversidade das espécies encontradas no terreno, especialmente por se tratar de uma área impactada, fragmentada e rodeada por construções. Foram identificadas mais de 60 espécies de plantas em uma área com pouco mais de 12.000 m².

Área total: 12.296.03 m²
Taxa de permeabilidade exigida: 20%
Taxa de permeabilidade atingida: 39,56% (4.864,6247 m² de área permeável)
Taxa de Permeabilidade é o percentual mínimo de área descoberta e permeável do terreno, em relação à sua área total, dotada de vegetação que contribua para o equilíbrio climático e propicie alívio para o sistema público de drenagem urbana.

Sete anos após o primeiro levantamento e com sua sede já construída, um novo estudo está em andamento na área de preservação do terreno da Vina. Realizado entre os meses de setembro a dezembro de 2015, ele irá avaliar as variações florísticas e estruturais da área remanescente do Cerrado, medindo a riqueza, a diversidade e a abundância das espécies ali presentes.
Esse levantamento comparativo estuda os quase 40% de área preservada da atual sede da empresa, área que sofreu diversas interferências negativas ao longo Dos últimos sete anos, como podas indevidas, focos de incêndio, falhas na execução de terraplenagens, entre outras. Essas ações causaram sérias perdas para a diversidade no ambiente.

Mas o Cerrado é resistente! Possui resiliência, que é a capacidade de ser submetido o grande estresse e retornar à sua condição inicial. As plantas enraizadas nas regiões de cerrado possuem raízes profundas, o que favorece a rebrota de muitas espécies mesmo depois de uma capina indevida ou de uma terraplanagem mal executada. Essas plantas ainda possuem casca grossa e folhas mais duras, resistentes ao fogo natural. Na área de preservação da Vina, com o passar do tempo e com alguns cuidados, como o cercamento e a proteção das áreas mais comprometidas, a vegetação vem se recuperando.

Um exemplar de caviúna (Dalbergia miscolobium) crescendo na área de convivência da equipe Vina.

E é diante dessa capacidade de recuperação natural que se justifica tanta diversidade já encontrada no estudo atual. Grupos de plantas, que não haviam sido registrados no estudo passado, constituem espécies-chave na conservação e recuperação do ambiente de Cerrado da Vina, por apresentarem frutos suculentos e dispersos por pássaros, como é o caso da Gabiroba (Campomanesia adamantium) e do Guamirim (Myrcia guianense). Outras espécies importantes como o Bacupari (Salacia crassifolia) e o Cajuzinho do cerrado (Anacardium humile) também foram registrados.


Bacupari (Salacia crassifolia) e Gabiroba (Campomanesia adamantium)

Um “sabiá do campo” (Mimus saturninus) que nasceu na Vina

É interessante ressaltar a importâncias desses estudos em áreas fragmentadas no meio urbano, já que um dos principais desafios na conservação do Cerrado é demonstrar a importância que a biodiversidade desempenha no funcionamento dos ecossistemas. O conhecimento sobre a biodiversidade e as implicações das alterações no uso da terra são fundamentais para o debate sobre “desenvolvimento X conservação”.

A Vina está instalada muito próxima ao berço das águas da capital mineira e por isso tem papel fundamental na conservação dessa biodiversidade. Conhecer e preservar esses remanescentes de Cerrado ajuda na manutenção de outras áreas, melhora o microclima da região e a qualidade de vidas das pessoas. Contudo, as ações da Vina vão além disso: sabendo que só o envolvimento coletivo é capaz de garantir a manutenção desse ecossistema, a conscientização da sua equipe, a mobilização da comunidade do seu entorno e a geração de informações fazem parte das ações promovidas permanentemente pela empresa.


Fotos: Sabrina Soares e Joshua Barroso (biólogos na Vina)
Texto: Sabrina Soares
Revisão e edição: Élida Murta





sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Na Lata :: Dia Nacional da Alfabetização

Na Lata é um espaço reservado, neste blog, para entrevistas e textos que abordem o universo das boas ideias, das melhores práticas e das pequenas e grandes questões que envolvem as relações da sociedade com o meio ambiente, com a cultura, com a política e com todos os movimentos capazes de transformar positivamente o mundo em que vivemos. 

Repensar, junto com vocês, será sempre a nossa proposta.


Especial Dia Nacional da Alfabetização (14 de novembro)
Para celebrar e discutir a questão da alfabetização no Brasil atualmente, o vinavina falou com quem entende do assunto! Entrevistamos a atual vice-diretora da UMEI Águas Claras, Vânia Gomes. Ela é professora (graduada em Letras português/espanhol pelo Centro Universitário UNI-BH) e atua na educação infantil desde 1980, foi diretora da Escola Municipal Professor José Braz no período de 1993 a 1996, atuou como técnica na equipe da Gerência de Coordenação da Educação Infantil da Secretaria Municipal da Educação em Belo Horizonte no período da implantação das primeiras UMEIs no período de 2004 a 2008 e, desde 2009, assume o cargo de vice-diretora da UMEI Águas Claras, que fica no entorno da nossa nova sede e na qual já foram realizadas diversas atividades socioeducativas em parceria com a Vina. 


Vânia Gomes Michel, na UMEI Águas Claras. 

1. O que significa alfabetizar no mundo atual? 
Alfabetizar no mundo atual não pode se restringir ao simples ato de decifrar códigos, dominar o sistema de escrita da língua. Assim, torna-se inviável falar de alfabetização sem falar do letramento. É preciso considerar a alfabetização como uma ferramenta importante para a participação do sujeito nos espaços sociais e culturais. Portanto, é preciso associar o domínio do sistema alfabético, que é uma norma socialmente construída e que precisa ser ensinada, às práticas de uso dessa técnica para garantir as habilidades de leitura e escrita, compreensão e utilização da mesma como forma de expressão, de diálogo e, principalmente, como possibilidade de interação com o mundo, com outros sujeitos e de melhoria de sua condição social.


2. Por que no Brasil ainda temos tantos semianalfabetos e analfabetos? 
Acredito que garantir o acesso de todos à escola não significa garantir a alfabetização. É fundamental que a escola seja um lugar interessante, atrativo, para assim assegurar a permanência e a aprendizagem do aluno. Quando a escola segue um modelo de educação ultrapassado, sem inovações, que não proporciona ao sujeito um espaço de criação, onde possa argumentar e buscar respostas próprias, a tendência é gerar no aluno uma insatisfação, uma falta de motivação para continuar os estudos por não se sentirem aceitos e não acreditarem no próprio potencial.

O alto índice de repetência é outro fator que leva o estudante a desistir da escola. A exposição diante de colegas, as humilhações e o sentimento de fracasso vão minando o desejo de aprender e vão produzindo no sujeito um sentimento de inferioridade e uma convicção de que deve aceitar sua sina de permanecer à margem, fadado a oferecer a sociedade uma mão de obra barata e pesada. Essa situação acaba gerando os analfabetos funcionais, situação na qual a pessoa é capaz de identificar letras e números, mas não consegue interpretar textos e realizar operações matemáticas mais complexas, comprometendo o desenvolvimento pessoal e social do indivíduo.

Para mudar essa realidade, as políticas educacionais precisam estar voltadas para atender a diversidade, buscando identificar as potencialidades de cada sujeito, valorizando-as, de forma a colaborar com as experiências e crescimento do grupo em que está inserido.



3. Quais são os prós e contras das tecnologias atuais (computador, tablet, celular...) no processo de alfabetização? 
É preciso reconhecer que os avanços tecnológicos, bem como o acesso às tecnologias, são realidades cada vez mais presentes no dia a dia das crianças pequenas. Os computadores e outros materiais tecnológicos já fazem parte do ambiente de aprendizagem, principalmente na família. Utilizar o celular, o tablet e o computador vem se tornando algo comum às crianças das mais diversas idades e classes sociais.

O professor, assumindo um papel de mediador da aprendizagem, assim como na família os mais velhos são modelo para os mais novos, precisam adotar comportamentos e atitudes em face das tecnologias. Não se pode ignorar que vários recursos contribuem na formação das crianças. O importante é identificarmos o papel que essas tecnologias exercerão nessa formação. A centralidade deve estar nas habilidades e potencialidades do sujeito e as tecnologias devem atuar como ferramentas. E, assim sendo, devem ter um tempo determinado de utilização e não podem assumir lugar de outras atividades que são primordiais para o desenvolvimento integral da criança, como o brincar, a socialização e as atividades coletivas.

É fundamental que os programas, jogos e aplicativos a serem disponibilizados para a criança pequena não apresentem apenas soluções mecânicas, repetitivas, onde exista apenas uma resposta ou caminho correto, pois estes não promovem o pensamento flexível e criativo. Outro aspecto a ser observado é que esses produtos tecnológicos a serem oferecidos não contenham violências, preconceitos ou estereótipos. Enfim, que sejam apropriados para a utilização pelas crianças e que venham a contribuir com o processo de aquisição da linguagem escrita, bem como de outras linguagens: oral, digital, plástica, matemática, dentre outras.


4. Qual é a importância do aprendizado por meio do brincar e do brincar coletivo? 
As crianças apropriam-se da cultura e da vida cotidiana através do brincar, principalmente do brincar coletivo. Na brincadeira, assumem papéis, criam situações, buscam soluções, dividem tarefas, definem regras e combinados. Fantasiam e vivenciam, na brincadeira, histórias que poderiam perfeitamente ser fatos reais, buscando imitar e compreender o mundo dos adultos. 

Ao brincar de forma espontânea, as crianças vão desenvolvendo habilidades e competências relacionadas ao convívio social, a questões básicas e regras simples que servirão de suporte para a aquisição de conhecimentos na leitura, na escrita, na matemática e em muitas outras áreas.


 Fotos dos alunos da UMEI Águas Claras.



5. Qual é o diferencial do trabalho realizado na UMEI Águas Claras no processo de preparação das crianças para a alfabetização? 
Desde a promulgação da LDBEN – lei de Diretrizes e Bases, 1m 1996 – Lei nº 9394/96, a educação infantil passou a ser considerada como primeira etapa da Educação básica. Esse reconhecimento coloca as instituições de atendimento à primeira infância, crianças de 0 a 5 anos, numa condição de instituição educacional, com objetivos e finalidades próprios ao desenvolvimento da criança pequena, deixando assim de ter caráter preparatório.

Assim, partindo das concepções de que cuidar e educar são ações indissociáveis, que a criança desde a mais tenra idade é um sujeito de direitos, que necessita interagir com o ambiente, os materiais e com adultos e crianças das mais diversas idades, define-se como finalidade do atendimento a esta faixa etária, o desenvolvimento integral da criança de 0 a 5 anos nos aspectos físico, psicológico, intelectual e social, contribuindo para a conquista gradativa da autonomia e da socialização.

Na UMEI Águas Claras buscamos propiciar uma socialização saudável, criando condições para as crianças conhecerem, descobrirem, resignificarem e ampliarem seu universo social, que inicialmente se restringe a família. O trabalho pedagógico na UMEI busca contemplar o desenvolvimento das mais diversas linguagens. Assim, as atividades de linguagem oral e escrita são organizadas de forma a desenvolver as habilidades necessárias para que a criança se expresse, conforme a sua idade, cada vez com mais clareza e utilizando mais recursos linguísticos.

Desde o berçário são proporcionadas atividades como leitura e contação de histórias, contato com livros diversos, músicas, dentre outras. Para as crianças maiores, além dessas atividades, são trabalhadas poesias, brincadeiras cantadas, quadrinhas, parlendas, a escrita do nome próprio, cartazes com: combinados, rotina, calendário; relatórios de projetos, visitas, passeios, bilhetes e comunicações para as famílias, etc.

Todas essas atividades vão colaborar no processo de alfabetização da criança, que no nosso entendimento, inicia-se tão logo a criança ingressa na instituição. Vivemos em um ambiente no qual a escrita e a leitura estão presentes no dia a dia de todos: em casa, nos produtos, nos espaços sociais, nos meios de transportes e, principalmente, na escola. A sistematização da escrita e da leitura, que deve ocorrer nos primeiros anos do ensino fundamental, com idade entre 6 a 8 anos, irá acontecer de forma muito mais tranquila para aquela criança que vivenciar, de forma prazerosa, o contato com o mundo letrado.


Algumas fotos dos alunos e da UMEI Águas Claras.


6. Como educadora convicta, quais são os seus conselhos para as famílias de todas as crianças? 
Minha mãe dizia que “filho não vem com bula” e “os dedos das mãos não são iguais”, por isso acredito que não há uma receita pronta. Como mãe de dois filhos e educadora posso dizer quais atividades e atitudes considero que contribuem para uma boa educação e que facilitam o desenvolvimento da linguagem escrita pela criança. Seguem alguns: 
- Leiam muito para seus filhos, contem histórias, cantem cantigas de roda; 
- Brinquem com eles, passeiem em parques, praças e em espaços culturais; 
- Acompanhem o dia a dia de seu filho na escola, pergunte-lhe como foi seu dia, do que mais gosta na escola, responda às suas perguntas, satisfaçam as suas curiosidades; 
- Deixem-nos vivenciar a infância brincando, fantasiando, sendo criança; 
- Escolham bem a programação da TV para que eles assistam. E que seja o mínimo de tempo possível. 
- Defina limites, cumpra os combinados, não prometa-lhes algo que não possa cumprir.

Nós, os adultos, somos espelhos para as crianças, sejam elas nossos filhos, sobrinhos, vizinhos ou alunos. Portanto, precisamos estar vigilantes quanto às nossas atitudes e ações diante das crianças. O velho ditado do “Faça o que eu falo, não faça o que eu faço” nunca deu certo e não vai ser com a criança que ele dará.






"Sem a curiosidade que me move, 
que me inquieta, 
que me insere na busca, 
não aprendo nem ensino."
(Paulo Freire)