Existe transporte ideal?
As cidades têm buscado alternativas para a crescente demanda de transporte público de qualidade. Os onipresentes carros e ônibus não conseguem mais atender à população de maneira satisfatória. Outrora considerado ideal, o metrô deixa de ser a solução única para os anseios da sociedade nas metrópoles. Nesse contexto, meios diferentes ganham espaço nas mentes de engenheiros e começam a deixar as pranchetas para tentar atingir o objetivo final de mobilidade urbana: o transporte ideal.
Mesmo que eventualmente as grandes cidades parem de crescer, a necessidade de deslocamento eficaz será ainda maior no futuro. Afinal, quanto mais uma sociedade se desenvolve, mais ela precisa de melhores meios de transporte. Quando a cidade avança, aumenta também a carência de soluções para o deslocamento interno. E são exatamente as cidades mais desenvolvidas que exigem mais mobilidade.
O portal Terra, em uma matéria especial, apresenta algumas opções de transportes alternativos que estão em execução ou em fase final de testes no Brasil.
Por que o transporte ferroviário não deu certo no Brasil?
A Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima (RFFSA), foi criada em 1957, unificando as 42 ferrovias existentes no Brasil e criando um sistema regional composto por 18 estradas de ferro.
No governo do presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961) a construção de ferrovias foi desacelerada, dando ênfase à construção de rodovias e estimulando o crescimento da indústria automobilística. O Plano de Metas do governo JK contemplava a implantação da indústria automobilística, com interesses também no desenvolvimento da indústria petrolífera e nos derivados de petróleo. A política que se seguiu nos governos militares não foi diferente, inclusive desativando estradas de ferro, ao invés de expandi-las. A redução drástica dos investimentos nesse setor levou ao seu sucateamento, resultando na diminuição da nossa rede ferroviária: na época contava com 37.000 km de trilhos e, atualmente, possui cerca de 29.000 km.
A malha ferroviária brasileira é obsoleta. Os serviços de passageiros praticamente acabaram, dando lugar aos transportes de carga, que trafegam principalmente minérios, produtos agrícolas, toras de madeira, combustíveis, etc. A única linha de passageiros que ainda oferece diariamente o trajeto de longa distância é a que liga Belo Horizonte (MG) a Vitória (ES).
Transporte ecológico e social
O transporte ferroviário é um dos mais ecológicos que existem. Além de transportar o maior número possível de carga e pessoas, a construção das estradas de ferro causa menos danos ao meio ambiente que a construção de rodovias. Mesmo que as locomotivas sejam movidas a diesel, poluem menos se comparadas à quantidade de veículos que trafegam diariamente por rodovias. Transportando cargas ou pessoas, o trem é um transporte seguro, confortável e possui custo menor por quilômetro transportado.
Situação do metrô no Brasil
Apenas cinco cidades do Brasil têm metrô. O de São Paulo, o mais lotado do mundo, tem três vezes mais usuários que as outras quatro cidades somadas: Rio, Recife, Belo Horizonte e Brasília. Só na estação da Sé, passam 800 mil pessoas por dia, mais do que todo o tráfego no metrô carioca. São Paulo é campeã em extensão, mas perde de metrópoles estrangeiras. Buenos Aires, com três vezes menos habitantes que a capital paulista, tem mais estações. E a Cidade do México tem quase três vezes mais quilômetros de linhas.
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Proporcionalmente, a cidade com mais metrô no país é Recife. Porém, mais não quer dizer melhor. Segundo Mauricio Pina, engenheiro da UFPE, as linhas não atendem as principais áreas da cidade. Recife tem o metrô mais demorado do país, com esperas de até 12 minutos.
METRÔ
Capacidade: até 83 mil passageiros por hora
Funcionamento: motor elétrico que recebe energia transportada pelos trilhos
Velocidade: até 100 mil km/h, com média de 87 km/h.
Custo (em dólares): de US$ 100 milhões a US$ 150 milhões por quilômetro
Vantagens e desvantagens: possui a maior capacidade de transporte, mas tem alto custo de construção e difícil implementação em cidades já constituídas.
Veja mais infográficos comparativos aqui.
Transporte público gratuito é possível?
Protestos varreram várias das principais cidades do Brasil durante todo o mês de junho de 2013. A principal bandeira levantada pela multidão foi a queda nas tarifas de ônibus, que haviam subido em muitas capitais. Mas, segundo os organizadores dos protestos, o objetivo final era instaurar o passe livre — tornar gratuitos todos os meios de transportes públicos. Apesar do sucesso em reduzir a tarifa, quais são as chances reais de implantar a tarifa zero em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, que transportam milhões de passageiros por dia?
Pensar o transporte como serviço público essencial
O transporte coletivo é visto como um grande mercado, uma fonte de poder econômico e político. Acontece que na sociedade existe a luta de classes, que nessa contradição há interesses opostos, e que toda exploração tem seu grau de limite. O dos transportes públicos chegou.
A solução depende de uma combinação bem sucedida de fatores: mobilização popular, concepção estratégica de um modelo de sistema de transportes e direção/determinação política em aplicá-lo. Do ponto de vista da mobilização popular, há uma expectativa bastante positiva. Do ponto de vista do modelo, cabe fazer a ampla discussão na sociedade. O transporte coletivo deve ser retirado das mãos da iniciativa privada para ser gerido pelo poder público, municipalizado, voltado para os interesses da coletividade e pautado numa outra forma de financiamento.
Uma cidade só existe para quem pode se movimentar por ela.






Meu anjo gostei tanto que esta última postagem compartilhei no google mais, excelente, muito bom para conscientizar e o melhor com palavras que o mais culto e o menos pode entender, parabéns, abraços Luconi
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